quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Série Marginalizados: Feroz


Quando começou a última década do Século XX, uma atmosfera de duvidas cobria o Planeta. Esperançosos viam na extinção do Regime Soviético e na intensificação da Globalização o advento de um Mundo melhor. Contudo, ao observar o desemprego gerado pela nova maneira de produção e pelas novas tecnologias, céticos apontavam um futuro apocalíptico. Previsões imprecisas e antagônicas proporcionavam um panorama de aguda incerteza.

É desse antagonismo que surgiu a figura pública de Hristo Stoichkov. Nascido no Leste Europeu no auge da Guerra Fria, o búlgaro acompanhou as mudanças de seu país. Viveu o auge da República Popular, a fragmentação da Cortina de Ferro e a ascensão da democracia. Em trinta anos, Hristo e seu povo presenciaram mudanças intensas.

Tal intensidade era trazida à tona toda vez que Stoichkov entrava em campo. Devido à sua entrega incondicional e à paixão que apresentava nas partidas, seu sucesso foi súbito. Seu rendimento unido ao temperamento explosivo tornou-no notório no Mundo do Futebol. A transferência para uma equipe do lado rico do Velho Continente seria só uma conseqüência.

O destino foi a Catalunha e o número estampado no manto azul e grená a vestir era oito. Foi amor a primeira vista, já que, além das já conhecidas virtudes do craque, ele também se identificou ideologicamente com os novos ares. Não que os catalães fossem ainda aqueles radicais separatistas dos anos Franquistas. Nesse momento, a ideologia era resumida em duas doutrinas: ódio a Madri e amor ao povo do meio do Mediterrâneo.

As duas premissas eram seguidas fielmente pelo jogador. Às vezes o ódio descambava para postura longe do politicamente correto e para expulsões, mas o amor nunca era nocivo à população local. A imagem do atacante inspirava torcida e companheiros a superar limites, alcançando feitos nunca antes obtidos.

O título mais cobiçado do Continente foi o mais extasiante deles. O Camisa Oito foi o destaque da primeira conquista da Copa dos Campeões da Europa do tradicional Football Club Barcelona. Isso não foi devido somente à sua habilidade, mas também à sua capacidade de evocar no time uma postura animalesca, faminta, que, anteriormente, somente ele possuía.

Os companheiros de seleção búlgara não estavam imunes a essa contaminação. Na Copa do Mundo disputada em território Norte-Americano, na qual um certo Baixinho brilhou, Hristo e sua seleção nacional chegaram ao inédito jogo semifinal, onde foram contidos pela Azurra de Roberto Baggio.

Stoichkov foi o artilheiro da competição, esbanjando seu estonteante futebol. A postura dionisíaca do líder era também vista em todos os outros atletas de seu time. Em caso de troca no time, no momento que o reserva avistava a placa de substituição, incorporava também aquela paixão Stoichkoviana.

Após esses grandes feitos, Hristo Stoichkov foi considerado o maior futebolista da História de seu país. Entretanto, tal condecoração não teve como causa a sua simples maneira de jogar. Ao adentrar os gramados, ele fazia sua História. Não importava o quão antagônico era o momento, qual fora seu passado ou quem eram os adversários. Através da paixão que possuía e da ferocidade com a qual lutava, ele deixava por terra todo determinismo, demonstrando àqueles que o assistiam que o futuro é uma conseqüência direta do que se faz do presente.

Por Helcio Herbert Neto

domingo, 5 de dezembro de 2010

Lá se vai um ano...



Flamengo Campeão Brasilerio de 2009

Fora um ano quadrado, de imutáveis e aparadas arestas.A rotina massacrante desgastara a massa parda que ocupava o território de São Sebastião.Tudo conspirava para que o período natalino fosse apenas um prenúncio de mais um ano seco,quente e comum.Tudo,não todos.

Foi quando no primeiro fim de semana de Dezembro, algo ocorreu.O povo muniu-se de uma armadura rubro-negra e lotou o Coliseum tupiniquim até transbordá-lo,levando aquele espírito a todas as ruas do subúrbio,contaminando até mesmo as nobres castas moradoras das regiões litorâneas do sul.

Inevitável seria a explosão daquela mistura entre a mulata tonalidade da pele daquele povo e o quente sangue, resultado do calor dos trópicos. No entanto, seria aquele o dia?Seria aquele o momento em que o processo químico chegaria a derradeira conseqüência?Cegos céticos cerravam suas esperanças, negavam o futuro claro que estava diante seus olhos.

Deu-se início ao processo. Um tal guerreiro tricolor,que sobrevivera aos Farrapos e aos Aflitos, tentava conter o momento de plenitude anunciado.Naquele dia não.Chega de sofrimento,chega de dor.E em um golpe fatal de gladiador nordestino,soaram as liras do paraíso.

A emoção foi capaz de fazer o Imperador chorar. A partir de então, a vitória era daqueles soldados do dia-a-dia, dos súditos que necessitavam daquela faísca luminosa de felicidade. Os bares lotaram em uma cerimônia hermética. Obviamente, o Deus do carnaval despejou confetes e euforia naqueles joões.

Um jovem desavisado de 17 anos , que mesmo não compreendendo,vivenciou tudo aquilo. Um sentimento incomum que a massa denominou alegria.

No dia seguinte restou-lhe apenas uma tosse rouca,uma voz seca e a certeza de que a vida valia a pena.

Por Helcio Herbert Neto

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Anacrônicas Desportivas: Erro de Batismo


Romário Leiria de Moura, por enquanto.


Meus caros amigos, essa seleção sub-20 promete. A lista inicial conta com diversos nomes conhecidos, como o Prodígio da Vila Neymar e o Príncipe de Milão Philppe Coutinho. Entretanto, um nome me chamou a atenção nessa pré- lista divulgada pela equipe da CBF formada por Mano Menezes e Ney Franco.

Não se trata do atacante de personalidade Diego Maurício, do Rubro-Negro carioca, ou do Lucas, o antigo Marcelinho do Time do Morumbi. Um zagueiro, que por muito pouco não passa despercebido, é o motivador desse texto. Seu nome é Romário e joga, atualmente, no time B do Internacional de Porto Alegre.

Sim, leitor, você entendeu bem. Um zagueiro com nome de centro-avante. E não é de um simples centro-avante, é do melhor de todos os tempos. Um defensor alto e branco, que mais parece um russo, com a mesma graça de um anão brasileiríssimo nascido na Favela do Jacaré. Esse antagonismo me fez pesquisar no Mundo Virtual alguma informação sobre o atleta, alguma coisa que o caracterize, que o configure. Mas consegui apenas uma foto.

Nunca o vi em ação. Aliás, nunca havia ouvido falar sobre ele até a apresentação de semana passada. Diferentemente desses catedráticos que aparecem na TV falando de futebol, eu não tenho o menor pudor em dizer. Aliás, nada vi sobre esse jogador na imprensa. Pobres editores, perderam uma grande pauta.

Dessa maneira, antes dos jogos do Campeonato Sul-Americano, antes dos treinos e até mesmo antes da apresentação da garotada, já tenho um conselho para o técnico Ney Franco. Se esse jogador realmente excursionar com a Seleção, é de extrema necessidade apelidá-lo. Nada contra o menino, muito menos contra o nome dado pelos pais. Na verdade, por mais eficiente que ele seja, até que ele seja uma mistura de Beckenbauer com Domingos da Guia, esse nome não pode ser levado ao uniforme.

Explico. Na hora em que esse rapaz vestir a Amarelinha com esse nome, ele irá direto para o ataque. Pode parecer inacreditável, mas é verdade. Os Deuses da Bola estão loucos para rever um Romário no ataque, marcando gols, calando críticos. O pobre zagueiro abandonará involuntariamente a zaga, como um ventríloquo dessas sarcásticas divindades.

Excetuando esse erro de Semiótica, acredito no potencial dessa equipe. Seria muito positivo ganhar a Olimpíada, em Londres, para começar a expurgar fantasmas de nossa História Futebolística. Começando assim, poderemos percorrer um caminho livre até enfrentar o maior deles: o Maracanazo.

Por Helcio Herbert Neto

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Assim fica difícil, Blatter


A poucos dias das eleições das sedes dos próximos Mundiais (2018 e 2022), o presidente da Conferedação sul-americana (CONMEBOL), Nicolás Leoz (Paraguai); o líder da Confederação Africana de Futebol, Issa Hayatou (Nigéria); e o máximo responsável pela CBF, Ricardo Teixeira (Brasil), foram acusados de corrupção.

Segundo o diário suíço Tages-Anzeiger, os três dirigentes figuram em uma lista secreta de pagamentos ilegais da empresa ISL, que comercializava os direitos de eventos esportivos organizados pela FIFA e que faliu em 2001. Em 2008, durante um proceso contra a empresa, soube-se sobre pagamentos ilegais a dirigentes da entidade máxima do futebol, do Comitê Olímpico Internacional e de outras federações por um valor de US$ 180 milhões.

Teixeira, presidente da CBF desde 1989 e ex-genro de João Havelange – ex-presidente da FIFA e que o apontou, nos últimos dias, como sendo o melhor sucesor para Blatter-, está acusado de ter recebido, entre 1992 e 1997, através de uma empresa fantasma em Liechtenstein, uma quantia próxima aos 12 milhões de dólares. Leoz tem uma acusação similar contra por US$ 950 mil, e Hayatou, que em 2002 competiu con Blatter para o cargo de presidente da FIFA, por US$ 25 mil.

As acusações chegam em um momento crítico para o órgão, que no último dia 18 suspendeu dois dos 24 membros do Comitê Executivo por outras acusações de corrupção. O nigeriano Amos Adamu e o taitiano Reynald Tamarii foram afastados de qualquer atividade relacionada com o futebol por tentarem vender seus votos a dois jornalistas do diário inglês The Sunday Times que simulavam ser lobistas da candidatura do seu país. A rede de TV britânica BBC prometeu "fazer mais revelações" sobre a corrupção na FIFA, através de seu programa de investigação, “Panorama”.

A reportagem surgiu a menos de 72 horas da decisão final do Comité Executivo que irá escolher entre as candidaturas de Portugal /Espanha, Inglaterra, Rússia e Holanda/Bélgica. Nas últimas semanas, foram muitas as pressões do governo inglês, personificadas nas queixas do primeiro-ministro David Cameron, para que a investigação não fosse divulgada. Mas as pressões foram em vão e o trabalho, de 30 minutos, foi para o ar.

Fica, então, além do temor por parte da Inglaterra de ser prejudicada na votação da FIFA, a certeza do mundo da bola de que a autenticidade desse importante órgão, há muito, tornou-se uma grande incógnita.


Por Roberto Passeri.

sábado, 27 de novembro de 2010

Palmeiras e os Dez Anos de Decepção



Desde a Academia de Ademir da Guia não se via um Palmeiras como aquele. Na década de Noventa, a equipe da colônia italiana em São Paulo Ganhou quase tudo. Foram anos dourados, incontáveis craques e títulos infindáveis. Contudo, o que ocorria por trás dos bastidores passava desapercebido.

O volume de dinheiro que transitou pelos clubes brasileiros naqueles anos é imensurável. Fundos de investimento como a Hick & Muse e a ISL despejaram milhões de dólares no mercado futebolístico verde e amarelo. Com a globalização e a procura por novos mercados, o esporte mais querido do país se tornava um sedutor alvo para investimentos estrangeiros.

Na época, havia uma crença na formação de uma liga, tal qual a NBA norte-americana, para abrigar o melhor campeonato de futebol do Planeta. O Clube dos Treze, que reúne os treze maiores clubes do Brasil, seria a base para essa revolucionária empreitada. Não obstante, os investidores não tinham levado em conta quem eram os responsáveis por administrar esse infindável fluxo de capital.

Os Cartolas, figuras folclóricas no país, teriam essa tarefa. Eles são a representação mais fidedigna do retrocesso do futebol nacional. Com a péssima maneira com a qual essas figuras conduzem suas equipes, o mercado brasileiro foi se mostrando cada vez menos atraente e o sonho de uma glamorosa liga, cada vez mais inatingível.

Entretanto, a falta de capacidade de gestão desses dirigentes é tão assustadora que eles não foram capazes de notar a escassez iminente dessas fontes financeiras. Com isso, endividaram os clubes com cifras impossíveis de serem pagas. Os atletas começaram a sentir no bolso tal incompetência da administração, uma vez que até mesmo seus salários foram deixados de ser pagos.

Nesse horizonte, o Palmeiras também foi perdendo jogadores, glamour e a posição de destaque internacional que alcançara. Além de todo caos financeiro, ainda ocorreu internamente uma briga incessante entre oposição e situação. Com todas essas mazelas, o tradicional clube não resistiu: em 2002, o Verdão foi rebaixado para Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

Por mais que o time tenha subido para a divisão principal no ano seguinte, as coisas em pouco mudaram. A péssima estrutura que impera no Palestra Itália ainda é fruto dos inconseqüentes gestores e dos mal administrados milhões que estiveram no Palmeiras na década anterior.

Com isso, tornam-se mais compreensíveis os péssimos resultados recentes dessa agremiação. Uma análise superficial pode delegar aos aspectos técnicos e táticos a causa de tantos fracassos. No entanto, reside na incompetência dos gestores a causa dessa estiagem de títulos de grande importância.

Por Helcio Herbert Neto

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Série Marginalizados: Las Brujas



Ao som de: Maná/Santana - Corazón Espinado


Era final da década de 60, e a Argentina vivia um momento político-social conturbadíssimo, assim como quase toda a América do Sul. O golpe militar de 66, que derrubou o presidente Arturo Illia, autodenominou-se “Revolução Argentina”, porém a revolução dos hermanos era outra, e ocorria bem longe da Casa Rosada.

Juan Ramón Verón era o astro maior da equipe do Estudiantes de La Plata que revolucionou o futebol argentino com suas conquistas. La Bruja (“A Bruxa”), como ficou conhecido pelo formato do nariz, conduziu a equipe “pincharrata” ao tricampeonato da Taça Libertadores (68, 69, 70) e ao maior título da história do clube, o Mundial Interclubes, em 68.

Ramón Verón fazia legiões de fãs carregando a bola da esquerda para o meio em velocidade, levando-a de fora para dentro em verdadeiros gols de placa. De fora para dentro também levava o Estudiantes pelo país: de Ciudad de La Plata para Buenos Aires, quebrando o domínio hegemônico dos clubes da capital.

Anos depois, com a estirpe futebolística nos genes, nascia Juan Sebastián Verón, no mesmo dia em que seu pai havia marcado o gol da vitória do Estudiantes num clássico contra o eterno rival, Gimnasia La Plata, em março de 75. Fanático desde pequeno pelo Estudiantes, Juan Sebastián cresceu ouvindo histórias de conquistas do pai e, aos 19 anos, já estreava com a camisa profissional do clube amado, ainda que cedo fosse levar seu talento para fora.

Juan Sebastián, ou La Brujita – diminutivo do apelido do pai – atuou ao lado dos melhores jogadores do mundo e colecionou títulos nas seis temporadas em que atuou na Europa, entre eles um Campeonato Inglês pelo Manchester United e um Italiano, pela Internazionale. Também participou do fracasso da Seleção Argentina na Copa de 2002 e, como grande parte desse time, foi subestimado.

Aos 31 anos e sem achar seu bom futebol, Juan Sebastián deixou de lado o contrato milionário com a Internazionale e voltou para casa, em busca do sonho de infância e de cumprir sua “missão”. A mesma alcunha, a mesma camisa 11, o mesmo destino. La Brujita reencontrava seu futebol maestrino ao longo da competição, e a Taça Libertadores cada vez mais parecia reencontrar o seu destino: La Plata, Las Brujas.

E assim foi. Trinta e nove anos depois de atuações épicas de Ramón Verón conduzirem os “pincharratas” a conquista da América, Sebastián Verón selou categoricamente seu destino, como se o Estudiantes tivesse parado no tempo para esperar o surgimento de seu mais novo heroi, ou melhor, de sua mais nova bruxa.


Por Roberto Passeri.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Regulamentação da mídia não é sinônimo de censura


"(...) Ao que tudo indica, todos estão surdos. Fala-se em controle social e os donos de jornais e tevês escutam “censura”. Nos principais sites informativos dos maiores grupos noticiosos, durante os dois dias em que aconteceu o Seminário Internacional de Comunicações, o projeto idealizado pelo governo era descrito como de “controle da imprensa”. Por trás da preocupação com a liberdade de expressão, porém, esconde-se o real temor, por parte das “nove ou dez famílias” que controlam a comunicação no país (para usar as palavras do presidente Lula) de que o projeto do governo represente desconcentração do setor.

Segundo o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, cada país possui seu próprio modelo regulatório de imprensa, e o Brasil ainda vai escolher o seu. O exemplo da Argentina é instigante. A lei sancionada há um ano pela presidente Cristina Kirchner não tem nada a ver com a venezuelana, como se acusa, e sim com os modelos canadense e norte-americano. “Como no Brasil, também fomos chamados de ‘chavistas’”, conta Bulla. “Isso se faz para colocar medo nos cidadãos.” O que não significa que os argentinos não foram ousados em sua proposta. Não à toa, o maior grupo de comunicação do país, o Clarín, vive às turras com o governo e é considerado “o maior partido de oposição” a Kirchner.

Se já há tanta polêmica no Brasil em torno do marco regulatório, imaginem se fosse feito aqui o que ocorreu na Argentina: em agosto do ano passado, a transmissão das partidas de futebol foi simplesmente "estatizada". Bulla conta que, como os jogos eram transmitidos via TV a cabo, isso fazia com que uma parte enorme da população não tivesse acesso ao futebol a não ser em locais públicos, como restaurantes, bares e pizzarias. O governo decidiu, então, negociar com a AFA (Associação de Futebol Argentino) a compra dos direitos de transmissão e propôs pagar o dobro do que oferecia o Clarín e a empresa Torneos y Competencias, detentores dos direitos havia 18 anos.

Desde então, todo mundo tem acesso aos jogos via TV estatal, o canal 7. “Eles tentaram ir à Justiça contra a decisão do governo, mas não conseguiram nada”, conta Bulla, citando uma frase do popular locutor esportivo Victor Hugo Morales: “Os direitos exclusivos do futebol foram o cavalo de Tróia da concentração dos meios de comunicação na Argentina”. Além de democratizar o acesso ao futebol, a lei significou não só desconcentração econômica como cultural.

Antes, como as rádios de todo o país apenas repetiam a programação vinda de Buenos Aires, um habitante da Patagônia, por exemplo, acordava com notícias sobre o tráfego na capital e não sobre sua própria região. “Isso matava as manifestações regionais de cultura”, diz Gustavo Bulla. Com a nova lei, a mera repetição de conteúdo foi restringida, assim como a possessão de até 24 concessões por um mesmo grupo de comunicação.

O que é bom para a Argentina talvez seja bom para o Brasil – e aí reside o verdadeiro temor dos donos da imprensa, não fictícios atentados à liberdade de expressão. Só falta o governo brasileiro querer questionar também as exclusividades milionárias das transmissões desportivas. Isto também seria considerado censura?"


De Cynara Menezes (Carta Capital), por Roberto Passeri.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A Noite do 10

A noite do 10 - Entrevista com Pelé - Parte 1

A noite do 10 - Entrevista com Pelé - Parte 2


Nos números, não há questionamentos. Desde os dezesseis anos, Pelé começou a construir uma carreira com vitórias inquestionáveis. Aqueles que nasceram no mesmo país, mas após o fim da carreira do Rei, ratificam a majestade desse grande jogador. Contudo, próximo daqui, na Argentina, há outro ídolo inquestionável.

Maradona não possui grandes números, contraria as estatísticas. Nunca foi campeão continental por seus clubes, acumulou desentendimentos com presidências e com outros grandes jogadores, ficou longos períodos longe dos gramados por contusões. Entretanto, em atuações nada convencionais, obteve a idolatria de milhões e milhões de torcedores.

Assim se fez no Napoli e, principalmente, na Seleção Argentina. Com um estilo despojado, lúdico e irreverente, Don Diego assombrou adversários. Além de erguer taças por suas equipes, ele proporcionou momentos inesquecíveis a seus fãs, gerando uma embriaguez de felicidade.

É injusta a comparação entre essas duas figuras, tal como tentar descobrir qual deus era mais poderoso na Grécia Antiga, Apolo ou Dionísio. Perfis opostos e complementares; a estabilidade de uma carreira irretocável ou a esquizofrenia de surtos de um personagem capaz de levar ao êxtase o público.

Por isso se faz tão singular esse momento produzido no Programa La Noche Del 10, apresentado por Maradona há cinco anos. Oportunidade ímpar de presenciar a interação harmônica entre esses dois pólos de estilo, seja dentro ou fora de campo.
Por Helcio Herbert Neto.

domingo, 17 de outubro de 2010

Herói e Renúncia


Estreou nesse mês o filme Tropa de Elite 2. Aguardada pelo público, essa segunda parte da obra do Diretor José Padilha traz verdadeiras quebras de expectativa. Dentre elas, a mais impressionante é a nova fase do personagem principal, o agora Coronel Nascimento.

O personagem interpretado por Wagner moura traz ao Cinema Brasileiro a figura do Herói de Renúncia, aquele que tudo cede para alcançar um objetivo que, por muitas vezes, se faz inatingível. Um Herói que tem sua índole questionada, sua história ignorada e sua vida revirada pelo simples fato de, por fazer aquilo que acredita ser justo, bater de frente com interesses pessoais instalados.

A coincidência fez com que a data do fato que abalou internamente o Clube de Regatas Flamengo estivesse próxima do lançamento do longa-metragem. Com essa proximidade, o calor dos fatos e a intensidade dos momentos vividos diante da tela, fez-se uma relação do momento do ídolo com o filme. Zico também é um Herói de Renúncia.

Assim como Nascimento, o Galinho de Quintino ficou ilhado meio a personagens de idoneidade questionável, teve sua própria honestidade posta a prova, e viu seus filhos em meio ao fogo cruzado. Tudo isso por ir de encontro a um Sistema vigente, com vaidades e corrupções latentes. Tudo isso por assumir uma postura coerente ao que considera bom para o Clube.

No filme, que será, com certeza, sucesso de bilheteria, o problema do Sub-Secretário é insolúvel, tendo em vista a abrangência da realidade contra a qual ele luta. E quanto à adversidade enfrentada por Zico? Por mais complicada que pareça, não pode ser sequer comparada ao problema da corrupção nacional. Contudo, em menos de um semestre o Eterno Camisa Dez da Gávea pediu afastamento do posto de Diretor Executivo de Futebol.

Em entrevistas recentes, Arthur Antunes Coimbra, demonstrou interesse em retornar ao cenário político do Mais Querido do Brasil. Segundo ele, em 2012 sua candidatura à presidência seria uma opção para o retorno ao seu Time de coração. Uma eventual vitória nas urnas poderia colocá-lo acima de todas essas intrigas formadas para derrubá-lo.

Entretanto, o que acontecerá até lá? Qual será o horizonte do Flamengo, tendo em vista o recente descortinar do momento político sujo instalado na Gávea? Resta apenas aos torcedores aguardar o retorno do seu Herói, e torcer que desta vez ele consiga permanecer no cargo e realizar as mudanças tão esperadas pela Nação.


Por Helcio Herbert Neto

sábado, 9 de outubro de 2010

Série Marginalizados: Monarca Carioca



Ao som de: Camisa 10 da Gávea - Jorge Ben Jor

O Rio perdia a graça. Com a transferência da Capital para o Centro-oeste e a Ditadura Militar, os cariocas já não viviam aquele clima romântico e leve dos tempos da Bossa Nova. Não obstante, na Zona Norte, distante do litoral e do centro empresarial, surgia uma garoto capaz de devolver ao Rio de Janeiro sua merecida posição.

O Flamengo já era um clube de massa, capaz de esvaziar as belas praias da Zona Sul quando era Domingo de Maracanã. Todavia, o Vermelho e Preto não possuía títulos de abrangência nacional.

Nesses tempos de escassez, era a torcida que gerava orgulho e idolatria. E foi devido a ela que um grande número de habilidosos jovens, assim como um franzino menino de Quintino, começou a sonhar em vestir o Manto Sagrado.

Aqueles que conheciam internamente o Flamengo se espantavam com a habilidade daqueles rapazes. Os times da base eram ricos em material humano, bem servidos em todas as posições. Entretanto, entre todos aqueles atletas em potencial, um meia de ligação parecia ter uma difereciada aura de vitória.

No princípio da década de setenta esse jovem, chamado de Arthurzico pela família, estreava no Rubro-Negro da Gávea. Ao receber a camisa de Carlinhos, o maior ídolo do time durante década anterior, houve um ritual semelhante a passagem das Coroas nas Famílias Reais: o próximo na dinastia tinha a obrigação de conduzir seu povo a vitórias.

E foi o que aconteceu. Com o passar dos anos, aquele time tornou-se mágico e o seu Camisa Dez, conhecido agora como Zico, havia tomado a proporção de um Soberano. De ponto-futuro em ponto-futuro, o Flamengo estonteava adversários e magnetizava sua torcida.

Aquele time conquistou o Brasil. Passou por todas as regiões dessa nação continental, dos Pampas Gaúchos aos infinitos florestais do Norte, deixando terras arrasadas e batalhões de fãs. Após dominar também todo o Continete Americano, era hora de conquistar o Planeta.

Marcaram o jogo para o outro lado do Planeta e chamaram o campeão do Velho Continente. Velho e prepotente. O Liverpool achava que já havia ganhado, mas bastou pouco mais de meia hora para que o esquadrão de Zico deixasse a Terra com as duas cores do Time da Gávea.

O Rio de Janeiro voltava a ser o centro do Mundo. Seu povo lotava as ruas estreitas dos subúrbios, em uma festa nunca antes vista e incapaz de ser igualada.

Até que houve um Sábio mineiro chamado Santana que quis levar o poder de Zico para também elevar o Brasil ao topo do Planeta. No entanto, para o azar dos brasileiros, a camisa da seleção não era rubro-negra.

Feliz do povo carioca que usava as duas cores místicas. Eles sim tiveram o Mundo aos seus pés e Zico como um Rei.


Por Helcio Herbert Neto.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Ronaldo; Tragédia e Farsa



















“Todos os fatos e personagens de grande importância do Mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes (...) a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa” *. A partir desse modo de interpretar os acontecimentos, pode-se analisar a carreira estrelar daquele que foi o Camisa Nove da Seleção Brasileira por uma década.

Ronaldo estava no ápice. Era o mais decisivo, mais encantador e mais elogiado jogador de futebol do Planeta. Contudo, essa fase impressionante do atleta foi interrompida por uma lesão gravíssima.

A contusão que vivera era aterrorizante, levara a questionar se ele voltaria a andar sem seqüelas. Para a recuperação, era demandado um longo tempo de dedicação. Após esse tempo que parecia não passar, após as exaustivas seções de fisioterapia, após a perda de quase todas as esperanças, ocorreu o inesperado: Ronaldo Brilhou.

Na Copa de 2002, ele liderou seu país na conquista do Mundial, foi novamente extraordinário. A Terra assistiu pelos televisores a revira-volta pela qual a vida daquele indivíduo passou, admirando o espetáculo da superação humana.

Depois a primeira Copa do século, ele prosseguiu tecendo sua carreira, seguiu sua vida. Continuava a ser uma estrela,com salários astronômicos, com belas apresentações nos gramados e com todo o Glamour de um astro. No entanto, mais uma lesão grave surgiu em seu caminho.

E a história se repete. O personagem se aproxima do fim da carreira, voltam as cenas em hospitais, o martírio da fisioterapia, a dor. Quando tudo, mais uma vez, se mostra obscuro e adverso, o Camisa Nove triunfa.

Ao retornar ao Brasil, pratica um semestre de futebol de alta qualidade. Calando os críticos, leva o seu time a duas conquistas, sendo uma delas em âmbito nacional. Entretanto, nesse segundo momento, a conjuntura já não similar aquela vivida em 2002.

Longe dos grandes palcos mundiais, com mais idade e acima do peso, Ronaldo já não compõe aquele espetáculo. Sem ter como platéia toda a população mundial, o jogador apresenta um crescente desconforto com a realidade. Apesar de mais uma bela lição dada aos pessimistas, o craque não se mostra satisfeito.

Como conseqüência, surge uma desmotivação visível no ídolo. Sua marca registrada, o sorriso, torna-se escasso, quase quinzenal. Dessa maneira, ele já não apresenta aquele élan nos treinamentos o que contribui para a deteriorização de seu condicionamento e, por conseguinte, para fracas apresentações nos jogos de seu time.

Portanto, Ronaldo apresenta-se atualmente como farsa de si mesmo. Longe daquela estrela que foi capaz de mudar uma situação dificílima, o jogador definha perante as câmeras. Hoje, o Camisa Nove é apenas uma sombra sentada à beira do caminho, à espera de um fim de carreira apoteótico.



* Trata-se do trecho inicial do 18 Brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx.



Por Helcio Herbert Neto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Jóia bruta




As atenções no mundo futebolístico estão focadas no menino Neymar. O garoto abusado dentro das quatro linhas vem usando da mesma característica fora delas.
Pouco tempo depois de recusar a proposta milionária do Chelsea, o menino da vila vem sendo chamado de marrento, "estrela", e outros apelidos que o caracterizam de se achar demais.
Diante de tudo isso, o ex-treinador Dorival Júnior resolveu estender a punição dada pela diretoria e deixar-lo de fora do clássico contra o líder Corinthians.
Em nenhum momento a qualidade do jogador foi contestada, mas ficou claro que ele mereceu ser punido. Mas será que o treinador tinha o direito de estender a punição dada pela diretoria ? Eu acho que não, nesse caso ficou parecendo que o Dorival se sentiu menosprezado pela atitude do Neymar quando o próprio quis passar por cima da decisão do treinador e bater o penalti. Na minha opinião, a punição deveria ser retirada e Neymar jogar o clássico. E no caso de Dorival, não deveria ter sido demitido, apesar de errado foi ele quem colocou os meninos da vila pra jogarem, vale lembrar que ano passado Ganso e Neymar não renderam o mesmo que esse ano. Parece que a diretoria da vila quis mostrar quem manda no Alvinegro Praiano.
Mas também, depois desse caso, ficou claro que o Neymar é uma jóia a ser lapidada, precisa de muita atenção, pois se dada atenção necessária a ele, é evidente que em breve estará entre os melhores do mundo.

Por Felipe Exaltação.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Encontro monumental


Imagem de "El País"


Drible é arte. É astúcia, magia. Drible é Messi. Seus compatriotas estavam cansados de ver seus dribles somente pela TV. Ontem, puderam vê-los ao vivo, bem de perto, e desfrutá-los como nunca antes haviam feito.
Messi foi o geniozinho, como no videogame do fim de semana, em uma telinha do outro lado do Atlântico. Por isso, o baile nos campeões do mundo não foi só uma partida que deu oxigênio ao técnico Batista. Foi também o dia em que Messi se reencontrou com sua gente. O som doce das arquibancadas argentinas que penetrou seus ouvidos, a sua saída ovacionada e o gol feito - esquivo em solo sulafricano - marcaram o começo de uma nova relação.
O gênio havia rendido quase todo o mundo a seus pés. Agora, foi a vez de seu próprio país. A Argentina precisava disso.


Por Roberto Passeri

Cem anos por seus ídolos


Toda história é composta por pessoas. Agentes que são capazes de feitos estonteantes, narcotizantes, que, por gerações, serão lembrados com tom de nostalgia. Dessa forma, para compreender a relação dos torcedores com essa entidade que completou cem anos esse mês, devemos abrir o livro da história do clube nos capítulos de três desses ídolos.

Roberto Rivelino era um jogador excepcional. Sua técnica e agilidade eram indiscutíveis. Sendo assim, ele surgia como um messias, como um salvador que traria a redenção após quase vinte anos sem títulos. Entretanto, o futebol nem sempre reconhece com títulos aqueles que, indubitavelmente, são merecedores.

Em 77, ao perder a final para o Palmeiras, todas as injúrias da derrota são delegadas ao craque. Inconsolável, Rivelino decide voltar pra casa a pé, comungar do sofrimento de seus irmãos, torcedores do mesmo time. A dor foi tanta que Rivelino mudou de clube, vindo, na ocasião, para o Fluminense.

Na década seguinte, um Doutor marca a História Alvinegra. Com o mesmo nome do filósofo da Maiêutica, Sócrates expunha suas idéias nas mesas de bar. Fumante assumido, o jogador foi alvo de críticas incessantes. Contudo, suas apresentações nos gramados eram irretocáveis. E foi devido a essa junção de intelecto e habilidade que ele liderou um movimento que ultrapassou as quatro linhas.

O Brasil ainda vivia a Ditadura. Em meio a relativas aberturas, o futuro do país estava incerto. Entretanto, com a intenção de promover o debate sobre a participação do povo na política, Sócrates instalou a Democracia Corintiana. Por meio desse sistema, o voto de todos os integrantes do clube tinha o mesmo valor, influenciando nas decisões tomadas. Nesse período, o clube alcançou seus objetivos, sendo Campeão Paulista e incentivando o fim do Regime Militar.

Já no princípio dos Anos Noventa, surge o mais meteórico e controverso ídolo do parque São Jorge. O capítulo de Neto é o menor em duração, apesar de ser o mais intenso. O Xodó da Fiel, como era conhecido, mesmo sem possuir perfil atlético, marcou o estopim para a expansão nacional da nação corintiana.

Sempre em confronto com a balança, explosivo, chorão. Fatos não muito usuais quando analisamos os jogadores em geral. Todavia, Neto não era mais um. Com sua empatia com a torcida, raça e inteligência, ele foi o capitão do primeiro Título Brasileiro em Noventa, desmistificando a sentença de que o Corinthians era um time puramente estadual.

Os três fascículos do vasto e épico Centenário traduzem o porquê de tanta paixão. Ídolos humanos, capazes de diminuir o espaço entre idolatrados e os mortais que sentam-se nas arquibancadas em domingo de jogo. Esses três exemplos decodificam o que é o Esporte Clube Corinthians Paulista.

Clube que retrata o sofrimento, o martírio, o cansaço do cotidiano do povo brasileiro. Não obstante, traz a felicidade com que esse mesmo povo leva seu dia-a-dia no coro, uníssono e transcendente, da vitória e do gol.


Por Helcio Herbert Neto

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Lá se vai um Fantasma


Imagem Lancenet



Desde o reinicio do Brasileirão, após a Copa, Marcelo Lomba é o titular no gol Rubro-Negro. Contudo, o fantasma do Camisa Um Campeão Brasileiro de 2009 ainda ronda a pequena área do Urubu.

Debaixo do travessão, Bruno deixaria saudade em qualquer clube. Sua agilidade e seus reflexos conquistariam o respeito de qualquer torcedor. Entretanto, o mito que foi criado ao redor do jogador foi extremamente nocivo a ele próprio e ao Flamengo.Com o sucesso e a idolatria que recebia, aflorou no goleiro um intenso sentimento de onipotência. Tal sentimento fez com que ele se envolvesse em uma situação desastrosa em sua vida pessoal, afastando-o dos gramados.

Já o dano para o Clube repercute em qualquer esquina carioca. Ressentimento e vergonha ecoam em todos os cantos do Rio até hoje, inclusive na Gávea. O time anda cabisbaixo, abatido, sem aquele ímpeto dos Grandes Flamengos . Nem mesmo a volta de Zico, agora como Diretor de Futebol, reascendeu a velha chama.

E eis que surge Lomba. O herdeiro das luvas do exímio pegador de pênaltis e tricampeão carioca viveu um momento capaz de exorcizar o fantasma do antecessor. Depois da marcação duvidosa de uma penalidade máxima do Jovem Galhardo no atacante do Guarani, deu-se um ritual composto por um misto de clarividência e ansiedade.

Marcelo pulou de um lado a outro, gritando que iria defender a cobrança. A segurança que o flamenguista demonstrou foi capaz de intimidar o cobrador, induzindo-o a batê-la no meio das traves. Em um ato de perspicácia, Lomba escolheu um lado e deixou os pés na região central, impedindo o gol esmeraldino.

É fato que o Flamengo tomou a virada nos acréscimos. Todavia, é esse tipo de lance que marca um elenco, reerguendo a cabeça dos jogadores. Sem mais arrepios fantasmagóricos com o goleiro, o torcedor aguarda o reascender da chama Rubro-Negra.

Por Helcio Herbert Neto

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Líder Absoluto.




Ser taxado de Cavalo Paraguaio é algo em comum para alguns times brasileiros que começam muito bem a disputa do campeonato nacional, mas acabam perdendo força no decorrer do mesmo. Mas esse não parece o destino do Fluminense, atual líder do brasileirão. Comandado por Muricy Ramalho, eleito 4 quatro vezes( 2005, 2006, 2007 e 2008 ) melhor treinador do Brasil e recém convidado para treinar a seleção, o tricolor das Laranjeiras vem voando baixo no certame deste ano. Como é de característica, Muricy montou um time seguro atrás e com alto poder de decisão na frente. A zaga segura formada por André luis, Gum, Leandro Euzebio e a proteção do volante Diogo é a segunda menos vazada do campeonato, atrás apenas do Ceará. Nas laterais, Mariano e Carlinhos encontraram a maneira de jogar e vem se destacando, e Julio César parece estar recuperando o bom futebol jogado em 2009, quando atuava pelo Goiás. O meio campo dispensa comentários, Diguinho, Deco, que apesar de não estar 100% já mostrou que é um jogador diferenciado, e Conca, que está voando, comandam o meio tricolor. E o ataque ? Simplesmente o melhor da competição, com 28 gols. Com Emerson, jogando aberto, sempre em velocidade, sua principal característica, e com muita raça, Fred jogando centralizado, dentro da área, local que conhece como a palma de sua mão, e Whashington, que se colocado dentro da área, sabe fazer gols, é garantia de gols tricolores.


Depois de ser rebaixado para a segunda divisão, e em seguida para a terceira, parece que chegou a hora dos tricolores cariocas conquistarem o campeonato nacional, pela segunda vez.
A torcida vem comparecendo, os jogadores estão correspondendo, resta saber se a sorte também estará do lado do Fluminense até a última rodada.

Por Felipe Exaltação.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Série Marginalizados: Quatorze



Ao som de: Bold as love - Jimi Hendrix


Era a década de setenta e a juventude esperava um super-homem. Alguns aguardavam um cabeludo e barbado profeta, que elogiasse o Woodstock e ouvisse Jimi Hendrix. Outros esperavam um discípulo de Bakunin, de calças rasgadas, All Star preto e jaqueta de couro. Entretanto, os idealistas jovens desse período não foram capazes de notar diversas figuras que marcaram suas realidades, causando reflexões e revoluções, tal qual o fumante que vestia laranja e passeou pelo tapete verde do esporte mais popular do mundo.

O que ocorreu em 74 dispensa comentários. Em um show de futebol, de dinâmica e de elegância, os Países Baixos impressionaram o mundo da bola. Apesar da derrota, entraram no imaginário coletivo, nos sonhos daqueles que gostam do esporte. O capitão daquele time, Johan Cruijff, foi maestro e tem lugar reservado na lista dos maiores craques da história. No entanto, foram as decisões fora dos campos que o diferenciaram dos demais e o transformaram em um ícone.

Em 73, com o destaque no Ajax e na seleção holandesa, os dois maiores clubes da Espanha tentaram contratá-lo. As duas propostas eram ótimas e, para qualquer outro jogador, o diferencial seria o lugar onde sua família viveria. O Glamour madrilenho ou o turbilhão social que era a Catalunha?

Cruijff levou em conta outro ponto. Havia uma ditadura na Espanha e Franco, o ditador, tinha um alto caráter nazifascista. Assim como Hitler no Estádio Olímpico de Berlim, Franco costumava torcer no Santiago Bernabéu, armado e cercado de guarda-costas.

E para o Barcelona foi o Cruijff, para entoar cânticos separatistas e anti-governistas. Contudo, essa não foi uma decisão isolada. Há outro exemplo que reforça o caráter contestador do jovem Johan.

Após a campanha iluminada da Copa de 74, os Países Baixos iriam como favoritos para a Copa seguinte. Todavia,o país sede passava por um momento complicado de sua história. O Peronismo havia caído perante os militares argentinos. Seguindo a tônica do Cone Sul, uma ditadura sangrenta se estabelecia na terra de nossos hermanos. Apesar do momento político conturbado, eles receberam a Copa de 78. Receberam a Copa, e não um dos seus maiores astros.

Cruijf se negou a ir à Argentina. Ameaças de seqüestro à família do jogador o levam a romper com a Federação Neerlandesa e a abdicar da possibilidade de erguer a taça de Campeão do Mundo.
O clima estranho que pairava no ar se confirmou na final do campeonato. A Argentina se sagra campeã depois do mais suspeito Mundial já realizado. A população vai às ruas para uma extensa comemoração, esquecendo torturas e mortes em meio à celebração.

Com essas decisões, o grande jogador holandês é mais efetivo que a maioria daqueles que discursavam em tom panfletário na época. Originou um questionamento sobre a camuflagem que o esporte dá a opressão política, instigou o fim das ditaduras, enfim, gerou debate.

Enquanto isso, a juventude idealista procurava um profeta. Pobres garotos, perderam um grande ativista.

Por Helcio Herbert Neto

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"Flamengo, tua glória é lutar."

Não podemos garantir o sucesso desse novo ataque Rubro-Negro, mas podemos garantir que melhor vai ficar. Um time acostumado a grandes ataques não pode se contentar com Val Baiano como referência. A chegada de Deivid e Diogo fazem resurguir a esperança de dias melhores na Gávea.
Zico É um bom dirigente, tem amor ao clube, diferentemente de alguns que passaram pelo Flamengo nos últimos anos, e a presidente Patrícia Amorim, sabendo disso, deu total liberdade para ZicoBauer, apelido dado por twitters, trabalhar. O Galinho, na medida do possível, reforçou o time.
O elenco é bom, a camisa é forte, vamos ver se a taça de campeão brasileiro permanecerá na Gávea. Difícil é, mas FLAMENGO, é FLAMENGO.

Por Felipe Exaltação.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Segue a tua senda de vitórias"


Por Roberto Passeri.

A alegria vermelha, jorrada como lava incandescente por um vulcão chamado Beira-Rio, ontem, em Porto Alegre, era só a ponta de um imenso iceberg, como costuma ser a História. Voltando um pouco no tempo não é difícil perceber que a conquista continental da noite de ontem não se deu por contratações que acabaram encaixando, por um treinador que achou o time em alguns jogos, ou por uma “fase iluminada”, como dizem os adeptos dos chavões futebolísticos.

A virada para cima do Chivas Guadalajara pela final da Taça Libertadores coloriu a América de vermelho e branco outra vez. Mas a ressaca da manhã pós-título não é a maior novidade do mundo para um clube que se acostumou a atrair grandes conquistas.
Para os que acompanham, não há dúvidas de que o Internacional é, junto do São Paulo, a maior potência do futebol brasileiro na última década. E sem exageros, pode-se substituir o “brasileiro” por sul-americano e até mundial.

Conhecido como “Celeiro de Ases”, por ser um dos principais formadores de jogador no Brasil, o Inter, sob o comando do presidente Fernando Carvalho, resolveu apostar em sua categoria de base para uma nova era de conquistas no início do século XXI, após duas décadas sombrias (80 e 90). Foi com investimento cauteloso e trabalho sério que o clube revelou ao mundo grandes jogadores como Lúcio, Nilmar, Rafael Sóbis, Daniel Carvalho e Alexandre Pato.

Foi por esse viés que o Colorado recuperou a hegemonia do futebol gaúcho, com a conquista do tetra estadual (2002, 03, 04, 05), e se projetou novamente no cenário nacional com o vice-campeonato brasileiro, em 2005*.
Em 2006, conquistou a Libertadores pela primeira vez, batendo o São Paulo na final. Meses depois, no Japão, ganhou o mundo ao derrotar o badalado Barcelona, de Ronaldinho Gaúcho. O clube ainda conseguiu chegar novamente em segundo lugar no Brasileirão, apesar de ter disputado grande parte da competição com seus reservas.

Em 2007, com a vitória na Recopa Sul-Americana, o clube garantiu a inédita Tríplice Coroa Internacional.
2008 foi mais uma temporada mágica: no início do ano, o Inter participou da Copa Dubai e venceu a Internazionale de Milão na final, levando para Porto Alegre mais uma taça. O clube também voltou a ganhar o Campeonato Gaúcho, ultrapassou o Grêmio e se tornou o maior vencedor da história da competição. No fim do ano, o Colorado ainda obteve um título inédito para o futebol brasileiro: a Copa Sul-Americana, da qual foi campeão invicto. Foi o quarto título internacional oficial do clube (Mundial, Libertadores, Recopa e Sul-Americana); com isto, tornou-se, ao lado do Boca Juniors, um dos dois clubes a possuir todos os títulos que um sul-americano pode almejar.

2009, o ano do centenário, começou com a conquista invicta do Campeonato Gaúcho, porém seguiu com as amargas derrotas na Copa do Brasil para o Corinthians, na Recopa para a LDU e mais uma no Brasileirão - desta vez para o Flamengo. Foi em julho de 2009 que o clube atingiu a meta dos cem mil sócios, tornando-se o sexto entre os clubes com maior número de associados no mundo e o primeiro na América Latina.
2010 chegou e o Colorado focou na Libertadores novamente. Acabou perdendo o Gauchão para o Grêmio – o que não acontecia há nove anos - , mas acertou em cheio na antecipação da janela de transferências, repatriando Tinga e Rafael Sóbis (como já havia sido colocado aqui no blog). Os dois foram essenciais ontem, na conquista do bi, como haviam sido há quatro anos: Tinga voando em campo e Rafael Sóbis marcando um dos gols da vitória.

Em dezembro, no Mundial, em Abu Dhabi, o Inter só precisará fazer o que vem fazendo bem há quase dez anos: mostrar que se vence fora de campo e levantar a taça dentro dele. Feito isso, o mundo será um pouquinho verde e amarelo novamente. Aos pés do Colorado.

*Nesta competição foram anulados treze jogos por um escândalo de manipulação de resultados envolvendo o árbitro Edílson Pereira de Carvalho; o Corinthians disputou novamente duas partidas que havia perdido e ultrapassou em pontos o Internacional.


Fonte: http://www.internacional.com.br/home.php

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Miami, América Latina, Brasil

Miami é a mais latina cidade do mundo. Mais do que em todas as capitais da América Latina, a comunhão entre os povos do Cone Sul, da América Central e do México se dá de maneira intensa. Entretanto, nesse vasto cardápio de culturas, uma possui destaque.

Na primeira quinzena de agosto começou uma mostra de Cinema Brasileiro. Incentivada pela ANCINE, do Governo Lula, a produção cinematográfica Tupiniquim impressiona os povos do Hemisfério Norte.

Enquanto isso, na rede de mercados Walmart, há um espaço reservado para a nossa literaturatura. O novo livro de Paulo Coelho - o escritor Verde e Amarelo mais lido no Planeta - está no alto da estante, ao lado da Saga Crepúsculo.

Contudo, foi no Diário Sun, da Flórida, que nossa mais genuína cultura foi representada. O jornal apresentava um discurso melancólico no dia após a derrota da Seleção Americana para aquilo que os Yankees chamaram de " O Brasil do Futuro ".

Diante de um estádio com setenta mil pessoas, a Seleção Brasileira de Mano Menezes passou por cima de uma população que, finalmente, está familiarizada e apaixonada pelo Soccer.Sendo assim, parece que voltamos a apresentar aquele futebol leve, que sempre foi a Alegria de Nosso Povo.

Tomara que seja apenas o começo de uma trajetória, tanto para a solidificação de nossa cultura dramatúrgica e literária no cenário internacional, quanto para uma camapanha vitoriosa na Copa de 2014. E viva nossos irmãos latinos; das terras de Guevara, Zapata, Fidel, Sandino e Allende.


De Miami, por Helcio Herbert.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Doutrina da Sapiência



É a vez de Mano Menezes. Após uma exposição pública da incompetência da Confederação Brasileira de Futebol no caso Muricy, o ex-técnico do Corinthians assume a Seleção. Com bandeiras completamente diferentes das levantadas em 2006, Mano repete um erro que parece ser oriundo de uma ordem superior.

Depois da festa de Weggis, Dunga chegava ao comando técnico com a faixa da coerência e do comprometimento. Entretanto, o maior erro do gaúcho foi se prender a essas palavras, adotando um grupo que possuía inúmeras limitações. Na realidade, Dunga é a ilustração da frase de Millôr Fernandes: “Coerente é o sujeito que nunca teve outra idéia”.

E novamente surge um protótipo de Sábio de uma idéia só. Mano convoca uma seleção extremamente jovem, que passa longe de ser a lista dos melhores jogadores do país. É lógico que o objetivo principal do Projeto Menezes é conceber uma equipe que esteja pronta para a Copa de 14.

Contudo, ao selecionar apenas nomes que estão em voga na mídia, ignorando atletas com capacidade de chegar ao próximo Mundial e que possuem posição de destaque no Mundo da Bola, como Diego, Renato Augusto, Anderson e Thiago Ribeiro, o novo técnico da Seleção Cinco Estrelas se abraça novamente a uma idéia: “Hora de convocar uma seleção Sub-20”.

Trata-se de uma proposta da CBF de trazer o povo para o lado da Seleção. Parece que o Burocrata Teixeira passou pela porta de um botequim, ouviu a conversa e adotou a cartilha da Turma da Manguaça. Todavia, quem a executa é o técnico.

Torçamos para que Mano tenha a capacidade de notar o que acontece no futebol, exercendo uma espécie de “ Sei que nada sei “ na convocação.Sem idéias fixas, sem frases prontas. Quem estiver melhor que jogue e ponto.



Por Helcio Herbert Neto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O punho de ferro na volta para casa



Seis horas em posição de sentido e ouvindo insultos em frente ao Palácio da Cultura Popular de Pyongyang, capital da Coreia do Norte, foi o castigo recebido pelos jogadores da seleção nacional após a campanha na Copa do Mundo da África do Sul. O treinador da equipe, Jong Hun Kim, teve um destino diferente, porém não menos bárbaro: ele foi submetido a trabalhos forçados.

A delegação foi castigada por cometer o ‘delito’ de trair a confiança do ditador Kim Jong-il, o "Querido Líder", como gosta de ser chamado. Jong Tae-se, estrela da equipe, foi o único poupado, por ter chorado durante a execução do hino nacional, antes do confronto contra a seleção brasileira, caracterizando devoção e respeito à pátria. O curioso é que o atacante é japonês, naturalizado norte-coreano.
Após o revés honroso para o time de Dunga, as autoridades do país decidiram transmitir ao vivo a partida da Coreia do Norte contra Portugal através da televisão estatal, um fato inédito em um evento de Copa do Mundo. Porém, a goleada dos lusos por 7 a 0 pareceu não ter agradado Kim Jong-il e deu no que deu.

O perfeitamente correto nesta conclusão seria descascar o modelo político norte-coreano que, em pleno século XXI, tem um ditador medieval agindo de forma pavorosa e inaceitável a sua frente. Entretanto, estou com o humor mais elevado do que o senso crítico no momento e a minha deixa é: Por que cargas d'água Kim Jong-il acreditou que a Coreia, NO MÍNIMO (palavras do ditador), repetiria a campanha de 66, quando terminou entre as 8 melhores seleções do mundial? A Coreia do Norte é realmente isolada do resto do mundo, porque absolutamente ninguém acreditou que o país passaria sequer da primeira fase, com exceção dos próprios norte-coreanos. E tenho minhas dúvidas se eles acreditaram ou simplesmente fingiram acreditar para não tomarem mais chibatadas do "Querido Líder", esse sim isolado e desolado.

*Os detalhes da recepção nada festiva da delegação norte-coreana no retorno ao país natal foram divulgados nesta sexta-feira pelo jornal italiano La Repubblica, que obteve as informações através da agência de notícias Radio Free Asia.


Por Roberto Passeri.

Renovação.


Renovar, renovar, renovar. Verbo mais utilizado por todos que fazem parte da seleção brasileira. Começou com a mudança de toda a comissão técnica, acerto ? Não sei, tinhamos muitos profissionais considerados os melhores em suas áreas. Para o comando, primeiramente, Muricy foi chamado, o que seria um belo nome para a seleção, mas por problemas contratuais, e pela honra de cumprir um contrato assinado com o Fluminense, o acordo acabou não se concretizando. A segunda opção, Mano Menezes, aceitou a proposta, vai assumir a seleção na tão falada fase de renovação. Com poucos dias o treinador já teve que fazer sua primeira convocação, e com a obrigação de renovar o elenco. O que fazer ? Mesclar uma seleção com alguns meninos e alguns medalhões ? Ou somente apostar nos meninos ? Mano Menezes fez uma convocação ousada, chamou muitos meninos desconhecidos pela maior parte, e manteve alguns dos que se destacaram na copa. Irei listar os convocados e fazer alguns cometários. Para defender o gol brasileiro, acho que Julio César ainda é titular, sem dúvidas, mas por estar sem jogar, Mano chamou :
Victor ( Grêmio ) - Muito merecido, era para estar já na lista de Dunga.
Jefferson ( Botafogo ) - Muito bom goleiro, vinha se destacando a um tempo no brasileiro.
Renan ( Avaí ) - Uma aposta de Mano Menezes, fez boas partidas no brasileiro.
Para a lateral, o treinador da seleção chegou a conversar com Maicon, mas segundo alguns jornais, o lateral teria recusado a convocação, alegando que não seria o momento ideal para voltar a vestir a amarelinha. Mano chamou:
Daniel Alves (Barcelona)- Tem tudo pra ser titular com a ausência de Maicon.
Rafael (Manchester United)- Muito bom jogador, muito futuro pela frente, já no Fluminense era apontado como jogador de seleção.
Marcelo (Real Madrid)- O mesmo caso de Victor. Na minha opinião, deveria ter ido pra África.
André Santos (Fenerbahçe)- Chega mais por falta de opção para a lateral esquerda, vem fazendo boas partidas na turquia.
Na zaga fica uma incógnita: será que chegou ao fim a era Lúcio e Juan ? Mano convocou :
David Luiz (Benfica)- Bom jogador, chega para brigar por uma posição.
Henrique (Racing Santander)- O mesmo caso de David Luiz.
Réver (Atlético-MG)- Se destacou muito no Grêmio, excelente zagueiro e ainda pode ser utilizado como primeiro volante, rápido, sabe sair jogando.
Thiago Silva (Milan)- Na minha opinião, o 'monstro' chega pra ser titular absoluto, tem tudo pra fazer história.
De volantes, Mano está bem servido, chamou jogadores fortes na marcação mas que também tem muita qualidade na saída de bola, são eles :
Sandro (Internacional)- Muito bom jogador, mas só irá para a seleção caso o Inter não vá a final da Libertadores.
Jucilei (Corinthians)- O mais questionado da convocação, era reserva no corinthians, treinado pelo próprio Mano, um jogador não serve para ser titular do corinthians mas serve para a seleção ? Deveria ter chamado o Elias.
Hernanes (São Paulo)- Mesmo caso de Sandro, só vestirá a amarelinha se o São Paulo não passar para a final, mas sua convocação era inevitável, joga muita bola, muita classe, tem vaga certa em próximas convocações.
Lucas (Liverpool)- Nome pedido por muitos até mesmo na copa, chega pra ser um dos titulares.
Ramires (Benfica)- Se destacou nas partidas que jogou na África, não merecia ser esquecido por Mano.
Chegamos ao meio de campo, setor mais criticado da era Dunga, agora sim temos um camisa 10, e com espaço para mais um no time. Mano convocou:
Carlos Eduardo (Hoffenheim)- Jogador rápido e habilidoso, boa aposta de Mano.
Ederson (Lyon)- Realmente o único jogador que não conheço, sendo assim, vamos aguardar sua atuação.
Paulo Henrique Ganso (Santos)- O jogador da seleção, tem tudo pra brilhar com a amarelinha, é um jogador sensacional, muito habilidoso, excelente passe, bom chute, o novo dono da camisa 10, sem dúvidas.
O ataque da seleção está muito bem representado, Mano escolheu :
Robinho (Santos)- Um dos únicos jogadores que todos pediam para não ser retirado, chega agora com mais experiência.
André (Santos)- Ainda acho que foi convocado meio que na 'aba' de Ganso e Neymar, mas é um bom atacante, sabe fazer gols.
Neymar (Santos)- Rápido, habilidoso, ousado, tem tudo para seguir os passos de Robinho.
Alexandre Pato (Milan)- Excelente atacante, rápido, com bom chute, se destacou na temporada passada pelo Milan, terminou como artilheiro do time no campeonato italiano.
Diego Tardelli (Atlético-MG)- Merecida convocação, vinha jogando bem no Atlético-MG.
Mano Menezes fez o que lhe foi pedido, renovou. Chamou jovens talentos que mereciam uma oportunidade, e também preparando uma seleção olímpica, convocou alguns jogadores que terão idade olímpica em 2012, já que vai comandar a seleção em Londres. O primeiro passo foi dado, agora é com eles, a caminhada começou, o caminho é longo, muitas coisas acontecerão, vamos ver se no final dessa jornada, no Brasil, em 2014, o Brasil conquiste o tão sonhado Hexa. O certo é que, seja com quais jogadores o Brasil atuar em 2014 o povo irá dar uma aula de torcida para o resto do mundo, acabou o jeito africano de torcer, com vuvuzelas, agora é do jeito brasileiro, com o coração.

Por Felipe Exaltação.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Série Marginalizados: Queixo Erguido


Para ler ao som de: Conversa de botequim - Noel Rosa

Luto no rádio. Noel Rosa,o Poeta da Vila,havia ido compor seus sambas em outras esquinas. Deixara milhares de ouvintes a afogar as mágoas em bares pelos subúrbios cariocas. Contudo,um ano depois e bem longe dali,uma grande estrela do rádio começaria a deixar o povo de queixos caídos.

Ademir Menezes ingressava na carreira de jogador. Na Ilha do Retiro, arrancava pelos campos, gerando grande espanto entre os marcadores. Inevitável seria que o craque viesse a brilhar na Capital Nacional.

Em excursão pelo Rio, Ademir despertou o interesse do Gigante da Colina. O Vasco começava a criar o maior time de sua história. Ao lado de mitológicos personagens, como o goleiro Barbosa, Queixada foi capaz de compor inesquecíveis jogadas em ritmo de carnaval.

Os lances só viam pelas ondas poluídas e barulhentas do rádio. Os ouvintes ficavam desesperados,uma vez que era comum que a narração escapasse,sumisse. Mesmo assim, Ademir Menezes e o Expresso da Vitória arrebatavam fãs em todo lugar onde havia um aparelho radiofônico.

E veja você. Com o Fim da Segunda Guerra e a Europa destruída, o Brasil sediaria a Copa de 1950. Merecido presente para uma geração habilidosa e mística do futebol brasileiro.

Com compasso de Samba digno de Noel, o Brasil botava os oponentes para bailar. O time de Ademir, Zizinho,Danilo e Barbosa conquistara consecutivas vitórias e fora considerado o grande favorito para levar a taça,que a partir daquele ano,se chamaria Jules Rimet. Menezes marcara nove gols na competição, sendo, até hoje, o maior artilheiro brasileiro em uma só edição da Copa.

Entretanto, a melancolia do Maracanazo era maior do que todas as vividas pelos boêmios em Quartas feiras de Cinzas. O País inteiro acompanhou a derrota para o time de Ghiggia nas oscilantes ondas captadas por seus aparelhos. O Brasil perdia o título e ratificava-se o complexo de vira-lata brasileiro, que só seria desmentido oito anos depois.

Embora marcado pela derrota em 50, Ademir foi um dos grandes ídolos da geração de Pelé que levou o país Canarinho à hegemonia mundial em se tratando do esporte bretão.
Ademir e Noel ilustram a Era Clássica do Rádio Brasileiro. Com a malemolência no samba e o ritmo dos gramados eles representavam o povo Verde e Amarelo. Pessoas que choram suas misérias nos bares, mas que acordam antes do galo cantar no dia seguinte. Boêmios que têm pormenores em seus caminhos, mas os encaram assim: de queixo erguido.

Helcio Herbert Neto

quinta-feira, 22 de julho de 2010

São Paulo x Internacional.

A pausa para a copa só fez aumentar a expectativa para a semi-final brasileira da libertadores. São Paulo e Inter vão protagonizar um confronto de alto nível, mesmo que perca um pouco em técnica, emoção não vai faltar. O time da capital paulita vem mal no campeonato brasileiro, mas diante da grandiosidade do São Paulo não se pode duvidar da capacidade de vitória deles. O Inter aproveitou a copa para montar uma 'seleção', trouxe Tinga, que não joga o primeiro jogo devido a expulsão, ao tirar a camisa, em seu último jogo na libertadores pelo Inter, e o 'carrasco São Paulino' Rafael Sóbis, que acrescentados ao time que vinha jogando formam um belo time. O São Paulo reclamou(o Inter comemorou) a antecipação da janela de transferências, mas se a chegada de Ricardo Oliveira for confirmada enxugará um pouco as lágrimas do tricolor.
Enfim, o certo é que o Brasil está muito bem representado, ainda sinto a falta de Cruzeiro e Flamengo, mas São Paulo e Inter tiveram méritos e chegam forte na disputa pelo título. Agora é aguardar o apito inicial do juíz e torcer, pela tradição recente de 'papa títulos', pela forte defesa, pelo jogo coletivo do São Paulo, ou por um jogo mais vistoso, pelos talentos individuais, e pela tradicional raça dos times do sul, do Inter. Eu já tenho meu palpite, e você ?


Por Felipe Exaltação.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Reveses inconvenientes para um clube mal acostumado



São Paulo Futebol Clube: conhecido como “O Mais Querido” desde a ditadura Vargas, o clube é acostumado a vencer, e muito. Com três títulos de Libertadores, três Mundiais e seis Campeonatos Brasileiros ganhos em quatro décadas diferentes, dentre outros muitos títulos, o Tricolor Paulista é o clube mais bem sucedido no atual cenário futebolístico nacional.

Detendo a terceira maior “marca” esportiva do país, atrás somente de Flamengo e Corinthians, um dos mais bem estruturados centros de treinamento do Brasil e o núcleo de reabilitação fisioterápica (REFFIS) mais moderno da América Latina, sendo referência até para os europeus, a associação esportiva é, indiscutivelmente, uma megapotência.

O que não estava nos planos do sempre bem estruturado São Paulo era o veto da Fifa ao seu estádio, o Morumbi, como palco da abertura da Copa de 2014 e pior: de qualquer outro jogo do maior evento do futebol mundial. O presidente do clube, Juvenal Juvêncio, tratou logo de ir à imprensa, afirmando que o São Paulo abria mão do Morumbi já que a Fifa exigia mais do que o clube podia oferecer.

Só que a reunião que acontece na tarde desta quarta-feira, 21, no Palácio dos Bandeirantes, entre o governador do estado de São Paulo, Alberto Goldman e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) mostra claramente que Juvenal Juvêncio só queria que o clube saísse bem na foto, pois o governador ainda tenta desesperadamente incluir o Morumbi, nem que seja somente para os jogos de oitavas-de-final.

Será mesmo que um clube do tamanho do São Paulo simplesmente abre mão de seu estádio em uma Copa do Mundo, possibilitando o Palmeiras ou o Corinthians de entrarem no páreo? Ou o veto ao Cícero Pompeu de Toledo era definitivo e o clube estava apenas se resguardando?

Esse não foi o único pesadelo do Tricolor Paulista nos últimos dias: com a parada no Campeonato Brasileiro para a Copa do Mundo, muitos clubes aproveitaram para fazer contratações e melhorar seu elenco. Os reforços vindos de fora do país teriam que esperar até agosto para serem regularizados, quando se abriria a janela de transferências. Porém, com uma iniciativa do Internacional e com o apoio de outros onze clubes que também se reforçaram com atletas vindos do exterior, a CBF antecipou a janela de transferência para julho, fazendo com que esses jogadores já possam atuar pelo Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores.

Dos doze clubes considerados grandes na primeira divisão, o São Paulo está entre os três que não trouxeram qualquer reforço de fora, junto com Grêmio e Palmeiras (desconsiderando o Felipão). Tal qual um filho único desacostumado a qualquer tipo de revés, lá foi “O Mais Querido” aos jornais, esbravejando que a antecipação da janela de transferências era um absurdo sem tamanho e que se sentia prejudicado.

Será mesmo que o clube acha um absurdo os atletas contratados poderem dar alegria a seus torcedores o mais rápido possível? Ou estaria o São Paulo tirando o foco da sua incompetência nas negociações durante a parada da Copa? Nada o impediu de fazer contratações como fizeram os demais clubes...

Fora isso, o São Paulo enfrenta o Internacional na próxima quarta-feira, em Porto Alegre, pela semifinal da Copa Libertadores da América. No último embate entre os dois times pela competição continental, o Colorado levou a melhor, curiosamente com gols dos dois principais reforços do Inter nessa parada da Copa: foram dois de Rafael Sóbis no primeiro jogo e um de Tinga no segundo. Prefiro acreditar que a birra do tricolor nada tenha a ver com medo do confronto, pois aí sim tudo isso ficaria um tanto quanto patético para o clube mais “mimado” do Brasil.


Por Roberto Passeri.

Série Marginalizados

O futebol é um grande palco. Por meio desse esporte, pessoas pacatas obtêm uma notoriedade imensurável. Entretanto, em diversas situações, aquele que foi astro no passado, hoje raramente é relembrado.

Sabe-se que a conquista de um Mundial é capaz de eternizar jogadores no inconsciente popular, mantê-los vivos nos sonhos de todos os amantes desse esporte praticado por pés. No entanto, é sabido também que é seleto o clube dos Campeões do Mundo,e que essa seleção nem sempre é justa.

E é nesse cenário que surgem os Marginalizados. Ídolos que chegaram a finais de Copa, ídolos que causaram satisfação nos fãs do escasso Futebol-arte, mas que não tiveram o prazer de erguer a Taça e, por isso, muitas vezes não são lembrados como merecem.

Desafortunados Craques. Ao som de músicas que ilustram belíssimas estórias, a Série Marginalizados relembra aqueles distantes momentos brilhantes.


Por Helcio Herbert.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Desapercebido


Dunga culpado.Síntese da opinião da maior parte da crônica esportiva após a eliminação precoce da Seleção na Copa da África,a frase expõe uma visão simplista da realidade do futebol Verde e Amarelo na atualidade.

Há mais de duas décadas,a Confederação Brasileira de Futebol possui a mesma presidência.Além de uma gestão tendenciosa e corrupta,os últimos vinte e um anos foram marcados por um intenso populismo pós-Copa.Em caso de vitória,não surge nenhum tipo de questionamento.Entretanto,em caso de derrota,o modelo de condução do grupo é mudado abruptamente,com nítido intuito de entoar o mesmo coro da população.

Ocorre também um fenômeno com uma geração de bons jogadores.Mediante ao deslumbramento com o cotidiano de um ídolo,atletas de grande potencial técnico se perdem.O pouco caso de Ronaldinho Gaúcho com a vida de jogador e as constantes aparições de Adriano nas páginas policiais demonstram a perda,por parte da Seleção,de fortes candidatos as camisas nove e dez ,repectivamente.

Portanto,delegar exclusivamente a Dunga a culpa pela campanha em 2010 é promover um engodo.Dessa maneira origina-se a expectativa de que a remoção da comissão técnica é suficiente para devolver a Taça ao Brasil,fazendo com que a conjuntura futebolística nacional passe desapercebida.

Por Helcio Herbert Neto

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Copa ao avesso; para se reapaixonar


Holanda e Espanha, Espanha e Holanda. Final inédita, campeã inédita.
11 de junho 2010: a questionadíssima Jabulani é rolada, dando início a Copa do Mundo de 2010 que, para muitos (eu inclusive), seria a confirmação de que Copa perdeu a graça. Tomando como verdade absoluta a falta de vontade de muitos craques e o baixíssimo nível da Copa de 2006, acabamos subestimando o poder dessa competição mágica. O velho papo do futebol globalizado, da naturalização de vários jogadores, da falta de patriotismo, dentre outras desculpas.
Sorte a minha ter acompanhado a cerimônia de abertura inteira e ter sentido, mesmo que pela televisão, toda a energia que o povo africano transmitiria à Copa e aos jogadores que dela fizessem parte. Naquele momento percebi que haveria algo de diferente na 19ª edição do torneio, só não sabia o quê.


Quase que meu pressentimento vai por água abaixo com a ínfima média de gols da primeira rodada (1,56 por jogo). Porém, passado o nervosismo da estreia, o nível subiu bastante e os gols começaram a aparecer, aparecer... Até que a primeira fase se encerrou mais rapidamente do que um “cérebro futebolista” é capaz de assimilar a eliminação das duas finalistas da última Copa. A Itália ultrapassada, pesada, presa, e a França em crise, sob o comando do patético Raymond Domenech, deram um adeus precoce. A vaga que teoricamente seria da França poderia colocar os anfitriões Bafana Bafana num inédito mata-mata. Mas faltou futebol e, pela primeira vez na história das Copas, o país sede estava eliminado na primeira fase. Pouco se importando com os pêsames alheios, um gigante adormecido despertava neste mesmo grupo. O Uruguai, bicampeão mundial, mas que das últimas quatro Copas havia disputado apenas uma, sendo eliminado na fase de grupos, estava de volta.
Os africanos viram a seleção da África do Sul, Nigéria, Camarões e Costa do Marfim cair uma a uma, apenas lhes restando Gana nas oitavas de final. A Ásia acompanhou a eliminação da surpreendente Coreia do Norte e a classificação de Japão e Coreia do Sul, como era de se esperar. O Velho Continente tremeu com as eliminações de França e Itália e as classificações suadas de Alemanha, Inglaterra e Espanha. A Oceania, que dispensaria comentários não fosse eu tão correto, não progrediu. E, por fim, a América, que assombrou a Copa ao classificar sete de seus oitos representantes (porque novamente fui gentil e contei Honduras).


Começava a fase mata-mata, começava a Copa de verdade. O Uruguai bateu a Coreia com a “faca entre os dentes” e avançou às quartas-de-final, o que não ocorria desde 1970. Gana, na prorrogação, conseguiu se livrar da enjoada seleção norte-americana, que resolveu tomar gosto pelo soccer e dar trabalho para os demais. Um dia depois, Alemanha e Inglaterra protagonizaram um jogo antológico não só pelo gol não validado da seleção inglesa, mas pelo nível técnico em campo. Como disse, a fase mata-mata é outra Copa e uma nova Alemanha apareceu: mais solta do que na primeira fase, jogou uma partida impecável, com um futebol belíssimo e, cirurgicamente, goleou por 4 a 1 os heróis da rainha, evidenciando a primeira grande decepção individual da Copa: Wayne Rooney, apontado como um dos principais craques do mundial. Horas depois, a Argentina, apesar do gol irregular, não teve dificuldades para bater o fraco, porém brigador time mexicano. Estava formado o confronto que muitos apontaram como final antecipada. Os alemães jogando um surpreendente futebol arte e revelando para o mundo seus jovens talentos, Özil e Müller, ao lado de Schwesteinger e do artilheiro de Copas, Klose, contra uma Argentina bem aproveitada pelo irreverente Maradona: totalmente ofensiva, aproveitando seu ponto forte nos pés de Messi e escondendo o fraco (a defesa).
A Holanda, segura na primeira fase, teve mais trabalho do que poderia imaginar com a azarona Eslováquia, mas, no fim das contas, acabou sobrando futebol para a talentosa seleção holandesa e as quartas, muito provavelmente com o Brasil, ficou carimbada. Chega a vez da nossa seleção que, muito criticada, não convenceu na primeira fase, porém cumpriu seu papel com o comprometimento prometido pelo Coronel Dunga. Jogando pouquíssimo futebol, o Brasil teve sorte do treinador do Chile ser “Loco” Bielsa e querer partir para cima. Logo o espaço apareceu na defesa chilena e a seleção brasileira fez um, dois, três, liquidando o confronto.
No último dia das oitavas, Paraguai e Japão suaram sangue, não saíram do zero a zero e, nos pênaltis, mais um sulamericano estava classificado. Espanha e Portugal não fizeram o jogo que lhes era esperado, principalmente pela fraqueza da seleção portuguesa e de seu craque Cristiano Ronaldo, que foi a segunda decepção da Copa, provando-se mais modelo do que jogador de futebol ao entrar em campo.


Brasil e Holanda deram início às quartas-de-final: ironicamente o melhor início de partida da seleção na Copa, abrindo o placar logo aos dez minutos e complicando o trabalho holandês. Infelizmente, sou obrigado a concordar com Muricy Ramalho, e a bola puniu o Brasil em um “gol achado” em uma falha de Felipe Melo com Júlio César depois de cruzamento na área. Desnorteada, a defesa brasileira não acompanhou a jogada ensaiada em escanteio e estava instalado o caos: 2 a 1. Felipe Melo se torna vilão absoluto da partida e da Copa ao ser expulso por um pisão inexplicável em Robben e complica ainda mais a situação. O Brasil passa longe de mostrar algum poder de reação e é eliminado mais uma vez nas quartas. Cai mais um craque: Kaká.
Ainda chocado pela eliminação verde e amarela, o mundo se voltou para Uruguai e Gana, confronto de menos técnica e mais raça, disposição. Nem o mais otimista dos espectadores poderia prever tanto drama, tanta história sendo escrita em tempo real quando o jogo foi para a prorrogação. Aos exatos 16 minutos do segundo tempo de prorrogação, depois de bate-rebate na área uruguaia e finalização sem goleiro, Luis Suárez, atacante celeste, numa tentativa desesperada de salvar a pátria, dá um soco na bola em cima da linha. Suárez expulso e pênalti para Gana nos acréscimos. Gyan, bom jogador ganês, tem a chance de colocar seu país e o continente africano em uma inédita semifinal de Copa. Luisito Suárez, também bom jogador uruguaio, observa à beira do campo a penalidade bater na trave e seu nome entrar para a história das Copas como “mão santa”. Já havia uma expressão de derrota no rosto dos ganeses na disputa por pênaltis antes mesmo de ela terminar. Assim como já havia uma expressão de certeza quando “Loco” Abreu bateu a última cobrança com a mesma “cavadinha” da final do Campeonato Carioca e entrou junto com Suárez para mais um capítulo celestial da história das Copas.
A Alemanha seguiu espantando o mundo ao não dar nem chance para a tão cotada Argentina, com um sonoro 4 a 0. Marcação forte e contra-ataques fulminantes na velocidade e na qualidade de seus jovens talentos viraram a marca do time a ser batido em 2010. Cai Messi, que longe de ser uma decepção como os outros, rendeu menos do que se esperava do melhor do mundo, não tendo marcado nenhum gol.
Em Johannesburgo, quando a Espanha esperava controlar o jogo ao encontrar um Paraguai recuado, foi tudo ao contrário. Assustada com o volume de jogo de um adversário que efetuou cinco alterações antes da partida, a Fúria não conseguiu jogar. Entre os minutos 16 e 18 do segundo tempo o jogo também entrou para o “vídeo” da Copa: pênalti para o Paraguai, a chance real da zebra pintar. Óscar Cardozo desperdiça a oportunidade e, no contra golpe espanhol, penalidade novamente. Xabi Alonso também cobra nas mãos do goleiro e segue tudo igual até David Villa, destaque da Espanha na Copa, marcar o gol que colocou a Fúria no caminho da poderosa Alemanha. Óscar Cardozo, ajoelhado no gramado, chora copiosamente, carregando nas lágrimas a mesma culpa das lágrimas de Gyan, de Gana: a da eliminação de um país sem tradição que sentiu a semifinal escorregar por entre os dedos.


Semifinal, Cidade do Cabo, o azarão Uruguai, que já havia chegado mais longe do que qualquer um poderia prever, contra a favorita Holanda. Impecável nas eliminatórias e com 100% de aproveitamento na Copa, por mais que o futebol não fosse o mais convincente da competição, o time jogou sempre de forma ofensiva e aplicada taticamente. Saíram na frente com o gol mais bonito da Copa do Mundo, mas a Celeste, desfalcada do capitão Lugano e de Suárez, correu atrás do prejuízo e empatou o jogo. A Holanda dominou as ações da partida e, apesar da valentia uruguaia, acabou fazendo o segundo e o terceiro. Aos 46 minutos, quando o curto tempo e o cansaço indicavam o fim, o gol de Maxi Pereira acendeu a chama uruguaia e os holandeses passaram os piores três minutos da Copa para, em fim, comemorarem a vaga na final depois de trinta e dois anos de espera.
Hoje, 7 de julho. Alemanha e Espanha. Acreditei no peso da camisa e me enganei novamente. Desde o início do jogo a Fúria ditou o ritmo e colocou a fortíssima seleção alemã, desfalcada de Müller, na roda. Sem conseguir encaixar seus contra-ataques, a Alemanha se viu envolvida por um time que joga muito solto e dá gosto de ver. O gol, apesar de custar, saiu de forma tão natural que nem pareceu que em algum momento o jogo esteve empatado. Honrosamente a Alemanha se despediu da Copa. Depois da Espanha, foi a seleção a apresentar o futebol mais prazeroso de se acompanhar, apesar de duramente criticada antes do Mundial.
Copa do Mundo sensacional, incontestável. Não faltaram jogos épicos e cheios de emoção, que ficarão marcados na história. Não faltou comprometimento por parte de nenhuma seleção ou jogador. A entrega de todos em campo, o sacrifício dos recém recuperados de lesão como Drogba, Fernando Torres, Kaká, dentre outros. Isso tudo prova que por mais que todos na Copa se conheçam, joguem juntos, joguem contra, quando se veste a camisa do seu país a coisa é diferente. E não faltaram surpresas para virar a Copa do Mundo ao avesso, como a troca que Alemanha e Brasil fizeram no estilo de jogo, a primeira encantando e a segunda jogando futebol resultado, sem arte alguma. Como Paraguai entre as oito melhores e Uruguai entre as quatro, como melhor sulamericana. Como o fiasco dos craques badalados como Rooney, Cristiano Ronaldo, Kaká e o destaque de bons jogadores bem menos “capa de revista”, como Schwesteinger, Snjeider, Villa, Forlán, dentre outros.

Termino esse resumo da Copa na madrugada desta quarta-feira, antes da final e disputa de terceiro lugar, até para não me deixar influenciar pelos resultados.
Duas grandes seleções que não tiveram seu futebol questionado em momento algum, mas que tiveram o poder de chegada, de decisão e o peso da camisa sempre postos à prova. Está aí para os que não acreditavam. Holanda e Espanha, Espanha e Holanda. Que vença o melhor!


Por Roberto Passeri.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Passado, presente e futuro.

Irei resumir minha opinião do que deve ser aprendido com as copas de 2006 e de 2010.
Na copa de 2006 tinhamos jogadores muito badalados, muitos considerados melhores do mundo em suas posições. Mas o que deveria ser uma preparação para a copa acabou se tornando um reality show, tudo era filmado, todos os passou dos jogadores eram acompanhados por uma câmera, eles eram mais pop stars do que atletas. Na copa em si, o Brasil até que jogou bem, saiu da primeiras fase com 100%, e passou por Gana nas oitvas com certa facilidade. A eliminação para a França teve nome e sobrenome: Zinedine Zidane. O craque fez questão de pendurar as chuteiras, usando-as de forma sensacional contra o Brasil, foi simplesmente Zidane, acabou com a esperança do hexa, e colocou todo o trabalho de Parreira em questionamento. Será que tanta badalação atrapalhou a seleção ? Acho que não, o Brasil sempre soube lidar com isso, a forma física dos jogadores, por exemplo, foi um fator mais decisivo. O presidente Ricardo Texeira decidiu apostar em Dunga, para a formação de uma seleção mais comprometida, palavra que faltou em 2006. Com uma seleção renovada, saíram medalhões como Cafu, Roberto Carlos e Ronaldo, para a entrada de Maicon, Luís Fabiano, e para a lateral esquerda, indefinida durante a era Dunga, Michel Bastos assumiu o posto na copa. A preparação, que antes era um reality show, virou um regime militar, nada era permitido, imprensa com acesso restrito aos treinos. A mudança foi radical, mas enquanto estava ganhando, Dunga achava que tinha razão. Dunga teve problemas com a imprensa, e logo com a poderosa Rede Globo, a insatisfação com a postura do treinador foi ao ar. Dunga, que já não contava com muitos seguidores, perdeu um pouco mais de prestigio. Com a bola rolando o Brasil não fazia boas partidas, venceu mas não convenceu contra a fraca Coreia do Norte, venceu a Costa do Marfim, e empatou com Portugal, terminou em primeiro do grupo, nada mais do que a obrigação. Nas oitavas tinha o time de El loco Bielsa pela frente, um time que jogava de forma agradável, buscando sempre o ataque, mas o Brasil soube jogar contra os chilenos que se abriram muito e deixaram espaço para a seleção contra atacar. Aí chegou a hora da verdade, o Brasil pegou a Holanda, time leve e habilidoso, que mantinha um aproveitamento de 100% nas eliminatórias e na copa, e seria nesse jogo que o Brasil mostraria sua fragilidade. O Brasil começou ganhando mas tomou a virada, e agora como agiria a seleção de Dunga diante de um placar adverso ? Com a falta de um craque, tão pedido por todos, o Brasil não tinha poder de reação, não havia um jogador que pudesse decidir uma partida, como fez falta um Neymar, um Ganso, um Ronaldinho Gaúcho nesse momento. O Brasil, país conhecido como maior exportador de craques, saía da copa do mundo pela falta de um desses.
Depois dessas duas copas, aonde o Brasil usou de artifícios extremos, fica a lição de que o Brasil precisa sim do comprometimento tão pedido por Dunga, mas também não pode deixar de lado as raízes do futebol brasileiro, que sempre teve uma fartura de craques. Esperamos que em 2014 no Brasil, tenhamos Craques comprometidos a mostrar que a seleção Brasileira nunca deixou de ser a melhor do mundo.


Por Felipe Exaltação.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um breve resumo

Enquanto Maradona rouba a cena na copa do mundo, enquanto Dunga se irrita com a imprensa, enquanto a toda poderosa França vive uma crise terrível, o futebol carioca se prepara para a volta do campeonato brasileiro. O mundo inteiro está focado na copa do mundo, mas os dirigentes cariocas correm atrás de reforços para seus times para a disputa do campeonato mais disputado do mundo.
No Flamengo, Zico assumiu o poder do futebol rubro-negro, e parece que o galinho não veio para brincadeiras. Zico acertou a contratação do zagueiro Jean, e vem buscando a renovação do contrato de David, para o meio campo o camisa 10 da gávea fechou com o volante Correa, e a volta do urubu rei, Renato Abreu. E com a provável saída de Vagner Love, Val Baiano chega para assumir a responsabilidade de gols do atual campeão brasileiro.
Nas laranjeiras, a chegada de Emerson "Sheik" parece que foi bem aceita pelos torcedores, apesar de ter jogado pelo rival Flamengo. O tricolor também conta com a chegada do meio-campo Valência, que atuava no Atlético -PR, e o time de Muricy está preparando uma grande festa para a chegada do meio campo Deco, mas a principal preocupação do tricolor parece ser as propostas que o atacante Fred vem recebendo, sua saída parece cada vez mais próxima.
O atual campeão carioca está se reforçando de jogadores já conhecidos em General Severiano. Após o afastamento por ter sido pego no exame anti-doping, o atacante Jobson retornou para o glorioso agradecendo a segunda oportunidade dada pelo clube, mas a volta mais aguardada pelos botafoguenses foi anunciada a poucos dias, a volta do ídolo Maicosuel foi acertada pelo presidente Maurício Assunção.
O Vasco também entrou no onda do botafogo e repatriou o canhotinha Felipe, o Vasco espera que com seus dribles previsíveis mas sempre certeiros o meia possa arrumar o meio campo vascaíno, e junto com Zé Roberto levem o Vasco a posições melhores no campeonato. O time de São Januário também apresentou Eder Luis e Fellipe Bastos, ambos estavam no Benfica, mas também teve a perda do atacante Dodô para a portuguesa, e para o lugar de Celso Roth, que foi para o internacional de porto alegre, o vasco apresentou PC Gusmão.
Esse é o futebol carioca,mostrando que não pretende que a taça saia do Estado do Rio de Janeiro.


Por Felipe Exaltação.

sábado, 3 de julho de 2010

Dispoteose



Na Roma Antiga, quando César atravessou o Rio Rubicão, ele se tornou deus. Superou as incompetências humanas, obteve a Apoteose.

Na Sociedade atual, baseada no espetáculo, muitos se tornam supremos, divindades irrepreensíveis. Entretanto, a efemeridade de muitos desses rótulos é outra notória características do Mundo do controle remoto.

Contudo, alguns conseguem marcar pelos seus feitos, subir e se fixar no Olimpo. "El Pibe d'Oro" é um exemplo de deus criado pelo futebol. E, embora constantemente envolvido em cerimônias bacantes, Don Diego nunca perdeu o crédito de seus fiéis compatriotas.

Não obstante, ele retorna por vontade própria ao Mundo do Mortais. Toma a seleção nacional pelos braços, assume as críticas e o controverso cargo de técnico dos hermanos. Após uma turbulenta eliminatória, o ídolo consegue liderar seu time na classificação para o maior palco do esporte praticado por pés habilidosos.

Quando abdica de seu trono, Maradona retorna ao campo de batalha que o consagrou e dá margem a revanche de antigos inimigos. Todavia, em caso de vitória ,o ex-jogador retoma a Era Classica do futebol argentino.

Tal qual César, Diego Armando pode dominar o Planeta. Tal qual Zeus, o autor de "La mano de Dios" pode perder o apoio, o respeito e a fé de seu povo. A sorte está lançada.


Por Helcio Herbert

Copa do Mundo 2010


Antes as batalhas se davam nas trincheiras,envolviam vidas e botavam em questão a Honra das nações. Destruiam cidades,desmontavam famílias e deixavam anos de prejuízo para os derrotados. Ali estava o Homem, sua perversidade e tudo aquilo que as gerações seguintes tentaram renegar, seja através da Contracultura Psicodélica, seja através do Foquismo Revolucionário.

As armas evoluiram, o medo aumentou e as guerras se restringiram aos campos de batalha dos países pobres. E como testar a superioridade entre as nações? Onde seriam travados os embates entre países? Surge então a alternativa do esporte e, principalmente, os espetáculos atléticos como a Gloriosa Copa do Mundo.

Os olhos do Planeta se voltam durante um mês para o campeonato. Com objetivos diferentes, as confederações se dedicam, selecionam os melhores jogadores e travam épicas batalhas limpas.

Evolução da Humanidade, confronto disfarçado ou simples entretenimento. Que role a Jabulani na África do Sul.


Por Helcio Herbert.