Recentemente o mundo do humor perdeu um dos seus maiores nomes. Chico Anysio partiu, e a rodada dos estaduais do fim de semana que sucedeu a morte do humorista foi repleta de homenagens ao "mestre". Muitas comemorações de gols, nomes de personagens em camisas, todas muito bonitas, em especial a do Vasco, time de coração de Chico. O Time de São Januário entrou com uniforme onde o nome dos jogadores foi trocados pelo de personagens do humorista. Eis que aparece o humor, ou apenas uma coincidencia engraçada, na homenagem. Renato Silva, zagueiro, conhecido no mundo da bola por ter se envolvido com com maconha, foi a campo com a camisa 33, com o personagem "Fumaça" escrito em suas costas. Ironia, humor ou apenas coincidência, uma bela homenagem pro mestre do humor com uma pitada do ingrediente que Chico melhor usava em suas aparições, a piada.
Feita aqui esta pequena homenagem, pulemos para o assunto que a foto nos remete. Um dos personagens mais, se não o mais famoso, de Chico Anysio era o Professor Raimundo. Em sua classe bagunceira, o professor tinha a árdua missão de educar os alunos da escola fictícia da telinha, e no final de cada episódio, a câmera focava no professor e ele lançava seu conhecidíssimo bordão: " E o salário ó ", fazendo o mesmo gesto que os jogadores do Fluminense na foto. Agora, logo jogadores de futebol utilizando deste bordão? Que ironia. Sem querer entrar na discussão do patamar econômico que o futebol chegou, da quantidade de dinheiro que gira ao redor da bola, e sem querer ser hipócrita, pois os que vos fala (escreve) discorre sobre futebol. Mas é impressionante a quantidade de zeros nos contra-cheques dos jogadores.
Sim, o futebol envolve muito dinheiro. Propaganda, bilheteria, e diversas outras atividades fazem do futebol uma atividade extremamente lucrativa, mas enquanto jogadores ganham na casa de centenas de milhares; médicos, professores, policiais, que são profissões que deveriam ser as mais importantes de uma sociedade não chegam a ganhar 10% do que jogadores considerados medianos ganham. Acontece uma troca de valores, e o resultado está na qualidade da educação, na segurança, na saúde pública do nosso país. A todo momento greves acontecem. Policiais reivindicam um salário digno, enquanto para um jogador ganhar R$80.000 mensais está fora de cogitação.
Se tivéssemos a mesma paixão, a mesma ligação que temos com o futebol em questões de interesse público, as coisas poderiam ser um pouco diferentes. Políticos fazem a farra, verbas são desviadas, e tantas outras falcatruas que são noticiadas diariamente. Mas enquanto isso não acontece teremos cada vez mais "Professores Raimundos" insatisfeitos com seus respectivos salários.
Por Felipe Exaltação







