sexta-feira, 9 de março de 2012
Exceções do futebol atual.
É chato, clichê, mas não tem pra onde fugir. Conversando na mesa de um bar, na faculdade ou no trabalho, quando o assunto é futebol não tem como não falar de Lionel Messi e Neymar. É impressionante o quanto a qualidade técnica desses dois jogadores destoa dos demais, ficando mais evidente a qualidade do argentino, claro, por jogar na Europa e enfrentar marcadores mais qualificados que o brasileiro.
Essas duas peças raras nos fazem acreditar que ainda há esperança que a técnica prevalecerá no futebol. Hoje só o que vemos são atletas cada vez mais preparados fisicamente e menos tecnicamente. Os jogadores, antes franzinos com qualidade, vem dando lugar a jogadores com nível bem abaixo e sempre muito mais preocupados com tática do que "jogar bola". Não estou desprezando o valor que a tática possui, mas fica muito mais vistoso um futebol jogado com qualidade do que puramente tático.
Essa discussão ( técnica x tática ) nos leva para outra excelente questão. Hoje vemos cada vez mais times que abdicam de um futebol bem jogado em troca de vitórias. Vencer ou jogar bem ? É claro que se for possível obter os dois melhor, mas nem sempre isso é possível. Apesar de fã do futebol bem jogado, quando se trata desta discussão citada, sou adepto do futebol resultado, em um campeonato de pontos corridos é sempre mais importante ganhar e conquistar os três pontos, pois com vitórias, a torcida passa, ou deveria passar, a apoiar mesmo com um futebol feio. Isto é apenas opinião pessoal, em nennum momento quero dizer que é um concenso geral, o futebol é apaixonante por isso, sempre gerando belos debates.
Voltemos aos nossos extraterrestres do futebol. Muitos já dizem que Messi é o melhor de todos os tempos. Não vi Pelé, nem Maradona, mas acho cedo demais pra isso, e muitos outros que Neymar tem talento pra chegar ao nível do argentino, ainda falta, mas é bem possível. O fato é que equanto estivermos discutindo e apreciando a forma de jogar desses dois, a gente se esquece um pouco desse jogo truncado que o futebol virou.
Por Felipe Exaltação.
quinta-feira, 8 de março de 2012
A democracia da Copa do Brasil
Estádio Estadual Lourival Baptista, que recebeu o jogo River Plate e Grêmio na noite de quarta-feira
Começa a primeira fase da Copa do Brasil e já se fazem audíveis os suspiros dos eufóricos que veêm na competição um exemplo singular de equidade. Todo ano é assim. Ao verem grandes times como Grêmio e São Paulo jogando em palcos não tão glomurosos como o Lourival Baptista ou o Mangueirão, esses entusiastas estufam o peito para ressaltar o caráter igualitário do torneio. De tão repetido, o aposto 'Competição mais democrática do país' já se tornou um clichê. Mas seria isso verdade? Seria realmente um modelo democrático de disputa esse que vigora no maior mata-mata da nação mais vezes campeã da Copa do Mundo?
Desde sua criação, a Copa do Brasil já teve 22 edições. Dessas, apenas 5 foram vencidas por times que não constam entre os 12 maiores do país. Somente Criciúma, Juventude, Santo André, Paulista e Sport foram capazes de bater a hegemonia dos grandes e levantar a taça. Entretanto, o título da competição não foi um marco para a mudança administrativa desses clubes. Muito pelo contrário. O exemplo do Sport Club Recife ilustra bem a trajetória desses 'Campões à Deriva': um ano após ganhar o título e a vaga na Libertadores da América, o Rubro-Negro de Pernambuco foi rebaixado para a segunda divisão.
A tal democracia fica mais distante quando observado o regulamento das duas primeiras rodadas da competição. Em caso de vitória por dois ou mais gols na casa do adversário, o vencedor elimina o jogo de volta. Como se não bastasse a perda da oportunidade de projeção da marca e, por conseguinte, do faturamento com patrocínio e publicidade, quando derrotado por placar elástico, o perdedor ainda divide a renda do confronto com a equipe vitoriosa. Assim, com metade da renda e fora da competição, as pequenas agremiações seguem obscuro e tortuoso trajeto rumo ao esquecimento da grande mídia.
Como entender quem vê democracia nesse modelo que favorece a hegemonia da liga dos mais ricos e populares times do cenário nacional? fácil. Basta entender a crença no mito da democracia política que ainda vigora nessas terras. Apesar do oligopólio vigente nas comunicações, da perpetuação de filhos da ditadura no senado e no congresso, da manutenção da pobreza em escalas estratosféricas e da calamidade que é o sistema educacional, ainda há gente que acredita que somos independentes e livres, senhores de nossos destinos. Muita gente se dá bem com a difusão dessa ideia, já que, em caso de insucesso, basta delegar a culpa a já enfadada ignorância do povo brasileiro, que é para muitos a culpa de todos os males que acontecem no país.
Enquanto aplaudem essa falácia, seja na Copa do Brasil seja na política, os poderosos brindam a perpetuação lá em cima, no topo da hierarquia. Os grandes times conseguem seus títulos, sua promoção e aumentam a arrecadação. Os políticos mantém o controle sobre tudo que acontece no maravilhoso país tropical. Já os marginalizados, esses seguem seu penar.
E ainda vêm me dizer de igualdade...
Por Helcio Herbert Neto.
sábado, 3 de março de 2012
'Nós vamos criar um monstro'
René Simões sentenciou em 2010 na Vila Belmiro a frase mais impactante do futebol nos últimos anos. Após a vitória do Santos sobre o Atlético Goianiense, o então técnico da equipe do Cerrado usou da primeira pessoa do plural para apontar a culpa de todos os que compõem o universo futebolístico brasileiro na formação de uma monstruosidade chamada Neymar. É bem verdade que o transcorrer dos anos não deu apenas um herdeiro para a jovem promessa verde e amarela: com o desprender das folhas do calendário vieram a responsabilidade e o destaque no cenário global do esporte. Hoje referência, o Camisa 11 do time da Baixada Litorânea Paulista já não comete as indisciplinas de outros tempos. Contudo, o bradar de René se enche de sentido quando observado o comportamento tático dos times que tem o rapaz de cabelo moicano como estrela maior.
Em termos de habilidade e técnica, Neymar é indiscutível. Sua agilidade e capacidade de finalização o transformam no mais decisivo jogador brasileiro na atualidade. Entretanto, a obsolescência das estratégias adotadas no Brasil torna sua presença viciante, fazendo adictas as equipes que possuem essa importante peça. Quando vestindo branco, dez homens de mesmo traje aguardam uma magia qualquer para resolver os monótonos jogos do começo da temporada. Magia que, aliás, geralmente acontece. Contudo, quando em campo representando o time da CBF, apesar de todo o peso que é posto sobre seus estreitos ombros, o jogador não consegue ser magistral. E isso é perfeitamente compreensível.
Enquanto o Planeta reaprende o valor da coletividade pelo futebol, o time de Mano mantém-se preso a uma solitária estrela. Com o advento do Barcelona de Guardiola, seguido da infusão do mesmo espírito nas seleções da Espanha e da Alemanha, observa-se a difusão da ideia tática de conjunto, do aumento do valor do grupo em detrimento às particularidades em todo o mundo. Ainda alheio a esse pensamente, a seleção da CBF mantém um sistema com setores estanques e uma crença indefectível na capacidade da única estrela ofensiva em destaque no cenário mundial. E vem daí a desvantagem; os grandes esquadrões agridem os adversários com um front composto por onze e o Brasil tem um bravo e solitário guerreiro espartano.
Claro que o comandante técnico da antiga (e saudosa) Seleção Canarinho não é o único com culpa do cartório. O grupo dos selecionáveis não possui, como em tempos passados, estrelas de carreiras consolidadas. Basta ver o trio ofensivo que acompanhou o driblador de Santos na tarefa ingrata de furar a equipe Bósnia no mais recente jogo organizado pela CBF: Hernanes, até outro dia volante, Leandro Damião, jovem centro-avante que passou os últimos seis meses se recuperando de grave lesão, e Ronaldinho Gaúcho, esse sim, de renome, mas que resiste na lista dos 23 por questões que não pertencem as 4 linhas. Todos incapazes de auxiliar Neymar no trabalho de reencontrar a velha identidade ofensiva brasileira.
A situação de 'Último dos Moicanos' acaba por atrapalhar até o próprio astro pop. O desenvolvimento tático do Príncipe de Santos é atrapalhado por essa falta de coletividade, encontrada tanto na seleção quanto nos clubes do país com mais títulos de Copa do Mundo. Ao examinar sua maneira de se portar em campo, torna-se plausível o questionamento sobre a necessidade da ida da maior estrela brasileira ao exterior. O diálogo com esse fantasma de coletivismo que ronda a Europa pode ser decisivo na evolução do mais promissor jogador que apareceu nesse território continental.
É inadmissível que todas as esperanças de título da Copa em 2014 residam somente ali, no canto direito da defesa dos adversários do Brasil. Por mais habilidoso e promissor que Neymar seja, é desumano delegar a um só homem a tarefa de resgatar uma cicatriz nacional existente há mais de 6 décadas, apagar o Maracanazo e levantar a taça no estádio que será erguido no mesmo lugar onde residia o austero 'Maior do Mundo'. Entretanto, ainda não é possível prever se realmente René Simões de alguma forma tinha razão e toda essa carga concentrada de responsabilidade vai resultar na criação de um franzino e megalomaníaco monstro.
Por Helcio Herbert Neto.
Claro que o comandante técnico da antiga (e saudosa) Seleção Canarinho não é o único com culpa do cartório. O grupo dos selecionáveis não possui, como em tempos passados, estrelas de carreiras consolidadas. Basta ver o trio ofensivo que acompanhou o driblador de Santos na tarefa ingrata de furar a equipe Bósnia no mais recente jogo organizado pela CBF: Hernanes, até outro dia volante, Leandro Damião, jovem centro-avante que passou os últimos seis meses se recuperando de grave lesão, e Ronaldinho Gaúcho, esse sim, de renome, mas que resiste na lista dos 23 por questões que não pertencem as 4 linhas. Todos incapazes de auxiliar Neymar no trabalho de reencontrar a velha identidade ofensiva brasileira.
A situação de 'Último dos Moicanos' acaba por atrapalhar até o próprio astro pop. O desenvolvimento tático do Príncipe de Santos é atrapalhado por essa falta de coletividade, encontrada tanto na seleção quanto nos clubes do país com mais títulos de Copa do Mundo. Ao examinar sua maneira de se portar em campo, torna-se plausível o questionamento sobre a necessidade da ida da maior estrela brasileira ao exterior. O diálogo com esse fantasma de coletivismo que ronda a Europa pode ser decisivo na evolução do mais promissor jogador que apareceu nesse território continental.
É inadmissível que todas as esperanças de título da Copa em 2014 residam somente ali, no canto direito da defesa dos adversários do Brasil. Por mais habilidoso e promissor que Neymar seja, é desumano delegar a um só homem a tarefa de resgatar uma cicatriz nacional existente há mais de 6 décadas, apagar o Maracanazo e levantar a taça no estádio que será erguido no mesmo lugar onde residia o austero 'Maior do Mundo'. Entretanto, ainda não é possível prever se realmente René Simões de alguma forma tinha razão e toda essa carga concentrada de responsabilidade vai resultar na criação de um franzino e megalomaníaco monstro.
Por Helcio Herbert Neto.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Libertadores, o antídoto contra a caretice
Nem todos os times estrearam ainda, mas a bola já começou a rolar pelo maior torneio de futebol do planeta. Tratarei assim daqui para frente a Taça Libertadores, e justificarei o porquê para não ser perseguido pelos devotos da Champions League.
Numa sociedade onde cada vez mais “Time is money”, não há como escapar do consequente pragmatismo que isso gera. Se a pressa é inimiga da perfeição, não dá para negar que a lentidão, ou melhor, a calma, é inimiga do lucro. Lucro em todos os sentidos, não só financeiro propriamente dito, mas de conquistas sob todas as formas.
É aí que se encaixa o nosso ópio – o futebol –, que apesar de ser uma válvula de escape social, não foge às regras que ditam o ritmo da vida cotidiana. Eu podia jurar que isso era balela de uma geração passada e nostálgica, mas é mesmo incontestável que o futebol tem se tornado mais chato.
A força física, a disciplina tática, a falta de improviso e até a ditadura do politicamente correto contaminaram o esporte, sobretudo no Brasil, berço de um estilo completamente diferente. Mas não gostaria de pegar por esse ponto, até porque a pauta foi debatida incessantemente após o baile do Barcelona sobre o Santos no Mundial e se esgotou um pouco.
A questão é que a Copa Libertadores da América, ano após ano, aparece cada vez mais como o suspiro único de um futebol antigo em meio a tudo isso. Totalmente anacrônico, o torneio continental é uma afronta ao status quo do futebol e da sociedade. Longe de ser romântico, é verdade, longe de ter um futebol primoroso também, mas dono de um “futebol-futebol”.
A graça da Libertadores é ser assim mesmo, meio torta, marginal, mas verdadeira. Ela vai de encontro ao artificial, ao perfeccionismo martelado em nossas cabeças. A Champions League é legal de ver, sim, mas é espetacular demais, usa muita maquiagem.
O torneio europeu é aquela modelo de capa de revista, com cabelos dourados obedecendo a um penteado extravagante; com uma barriga impecável sob um decote ousado; quilos de pó sombreando os olhos mais brilhantes que as joias enormes penduradas em suas orelhas e em seu pescoço. Uma perdição, um “exemplo” para qualquer mulher e uma quimera para todo homem.
Mas aí você vira a esquina da banca de jornal e dá de cara com a Libertadores. A moça que saiu para passear com o cachorro do jeito que estava em casa. De short surrado e camiseta branca desbotada. Cada poro de seu rosto exposto pela falta de maquiagem, cada traço seu evidenciado pela ausência de bijuterias.
O cabelo preso displicentemente e os olhos castanhos formam o par mais charmoso que você já viu, mas ninguém sabe explicar bem o porquê. Ela talvez seja magra demais, não seja um exemplo de mulher gostosa, mas é real e chega a te comover.
Todos gostariam de passar uma noite com a “mulher Champions League”, mas acabariam namorando a Libertadores. A primeira tentaria manter sua pose de árvore de natal, mediria suas palavras e seria tão perfeita que torraria a paciência de qualquer um. A segunda, não. Ela seria assim mesmo, da forma como veio ao mundo, despreocupada, falaria o que pensa e faria algumas nojeiras na sua frente sem medo de receber um olhar de reprovação. Aí moraria o seu charme e, consequentemente, o desejo de todos os homens que não têm a pretensão de andar de mãos dadas com um quadro de exposição.
O torneio continental europeu, em sua grande maioria, é constituído por equipes que comem urubu e arrotam peru. Lindos estádios com campos macios, uniformes belíssimos, treinadores de postura, jogadores caros e... nada. No final das contas, Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique e uns cinco times que variam muito pouco serão os oito primeiros. É previsível, é hegemônico e, mais do que isso, o futebol está longe de ser o que pintam.
E, mesmo que fosse, a Libertadores ainda daria mais tesão. Os estádios são acanhados, os campos têm buracos, o futebol pode deixar a desejar, mas é o futebol verdadeiro, sem tentar servir de modelo. É o futebol que não se preocupa com o politicamente correto, que não faz fair play dentro de casa, que esconde as bolas quando está ganhando, que a altitude pode definir resultado e que, quando não dá na técnica, vai no coração. As torcidas fazem foguetório, o treinador invade o campo, o corpo de cada atleta treme da ponta do dedão ao último fio de cabelo. O gol irregular faz parte do jogo. Isso, para mim, é espontâneo, é da natureza humana, logo é futebol.
Já não consigo mais esperar para ver o Fluminense, time mais caro dessa edição, cair nas quartas de final para um time paraguaio com um gol de carrinho de um atacante anônimo. Não posso resistir à tentação de ver o atual campeão brasileiro passar sufoco para se classificar num grupo considerado fácil. E, acima de tudo, adianto os ponteiros só de imaginar a cara dos comentaristas que são verdadeiros videntes na Champios League, mas que “infelizmente” errarão todos os palpites nas oitavas de final da Libertadores.
Por Beto Passeri.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Revolução Silenciosa e o Azar dos Fatos
Sempre têm aqueles que mudam de opinião quando o resultado final anotado no placar desmente o modo de pensar anterior. Não é para menos. Desde que um pensador italiano, na metade do segundo milênio, sentenciou que vale tudo para alcançar um objetivo, a frase "o fim justifica os meios" pode ser ouvida em qualquer esquina, legitimando o ideal de que mais valem os resultados que os processos. Contudo, lá vem o universo do futebol, pródigo em apresentar alternativas. No caso, foi o Vasco que tratou e vem tratando de mostrar o grande valor das escolhas e da idoneidade do percurso.
O título do campeonato brasileiro de 2011 ficou com o Corinthians, todo mundo sabe. Mas o Vasco de Juninho e Felipe lutou bravamente pela taça até o último segundo do derradeiro jogo do segundo turno. Embora classificado para a Libertadores desde o meio do ano, quando venceu a final da Copa do Brasil, o time cruzmaltino permaneceu aguerrido. Garantiu um ano intocável, marcado por um espírito esportivo e por uma dedicação rara. Diferentemente de outros clubes que, acomodados com as faixas conquistadas no primeiro semestre, encararam o nacional de pontos corridos com ares de pré-recesso.
Passado o ano de 2011, as glórias decaíram sobre o campeão e o Vasco da Gama foi posto de lado. Atitude compreensível na Sociedade do Resultado. Porém foi só começar o ano que a equipe de São Januário veio com mais uma atitude, mais gestos que ratificam aquela alma apresentada no ano passado. Enquanto o comportamento usual dos atletas diante do atraso dos pagamentos dos salários é uma passividade acompanhada do famoso corpo mole, o elenco do único time carioca da primeira divisão do brasileiro situado na Zona Norte resolveu ser ativo e digno. Na toada das greves e manifestações que aparecem desde o ano passado no Brasil e no Planeta, os homens que vestem a camisa da Cruz de Malta resolveram posicionar-se.
Como resposta a imperícia financeira dos dirigentes, o grupo de atletas resolveu não realizar a habitual concentração brasileira. Vale ressaltar que na Europa os jogadores se apresentam na manhã das partidas, exceto raras exceções. Essa informação só comprova o comprometimento dos vascaínos com seu trabalho, a preocupação em "honrar as cores do clube". Verdade é que o gesto em nada alterou o rendimento atlético em campo nas partidas que sucederam a decisão. O time é líder de seu grupo na Taça Guanabara e pode ser considerado um dos melhores do Brasil nessas primeiras fagulhas de futebol em 2012.
Contudo, veio a Libertadores e a primeira derrota no ano. Com certeza muitos esquecerão a capacidade técnica e tática que o Nacional do Uruguai mostrou na noite de quarta-feira. Esquecerão também as ausências de Rômulo, Alan e Fágner, jogadores de importância extrema, tanto na construção de jogadas de ataque quanto na solidificação do sistema defensivo. Entretanto, o mais triste é que muitos não esquecerão a altivez da recusa à concentração do elenco. E é lógico que muitos ligarão a derrota a manifestação: erro de falsa causalidade. Sinceramente, torço para que tais opiniões não reprimam os debates e mudanças que a demonstração de personalidade desse grupo de homens deu início.
Por Helcio Herbert Neto.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
É bom tê-lo de volta
Chega de jogos sonolentos, do martírio que se transformou (ou foi transformado pelos burocratas que tomam conta do esporte) o futebol nesse verão. Recomeça nessa segunda semana de Fevereiro a apresentação dos grandes times brasileiros nos nem sempre bem-cuidados tapetes verdes. É chegada a hora de voltar a se emocionar, de reencontrar as respostas perdidas do cotidiano no urro uníssono do gol e da vitória. Hora também de encontrar questões e soluções dentro das quatro linhas que possam iluminar, por que não, a vida humana, seja na esfera pública ou privada.
É verdade que os Campeonatos Estaduais têm sua beleza. Ver a bravura de atletas e torcedores de clubes menores que, apesar de abatidos por todas as situações adversas que suas condições lhes impõem, permanecem a batalhar, é encantador. Entretanto, a administração negligente das federações e clubes acaba por apagar até mesmo as raras faíscas de encanto que esses torneios possuem. O espírito aguerrido dos fanáticos pelos mais humildes clubes, por exemplo, a cada ano, está mais escasso, visto que os estádios mais modestos ou são interditados ou apresentam preços que não estão de acordo com a realidade do (ainda) subdesenvolvido Brasil.
A falta de comprometimento dos jogadores dos times grandes também auxilia a tarefa que os responsáveis pelos campeonatos regionais tomaram para si de prolongar, velada e erradamente, as férias dos profissionais de futebol. Só um flamenguista sabe o quão duro é ver um jogador como Ronaldinho se esconder na sombra da bandeirinha de escanteio, apenas um botafoguense sabe como é doloroso ver o voluntarioso Loco Abreu se esquivar de divididas, caminhar em campo. Aconteceu no clássico de domingo, mas também nas rodadas anteriores. Se para nós, que assistimos confortáveis aos jogos, a partida desce como uma pílula de Maracujina, para os homens que ali correm, sob o Sol impiedoso da mais quente estação tropical, os noventa minutos tem efeito purgante.
O que será dito agora todos os envolvidos no meio já sabem, porém, tendo em vista a inércia que assola a estrutura do primeiro semestre do futebol tupiniquim, não custa nada reforçar. O calendário esquizofrênico do início do ano está enfraquecendo os intensos laços que ligam as agremiações de menor porte com a população apaixonada que as abraça. Em vez de incentivar a perpetuação dos Estaduais, quem os defende do modo atual está contribuindo para a sua extinção. Sob nosso olhos, vagarosamente, definham os torneios que deram início ao amor do país ao esporte que risca o gramado com uma bola nos pés. É necessária a diluição das partidas durante o ano, defendendo a manutenção das estruturas dos clubes menores ao longo dos doze meses, e a diminuição no número times nas primeiras divisões. Atualmente, cariocas e gaúchos assistem 16 times lutando pelo título. Em São Paulo são 20.
Todavia, finalmente, começa a fase de grupos da Copa Libertadores e, aos poucos, é dissipada a monotonia. Depois da gélida fase preliminar que Flamengo e Internacional tiveram de passar, é dada a verdadeira largada para disputa do mais importante troféu do continente. Terça-feira, no Engenhão, o Fluminense enfrenta o Arsenal de Sarandí e injeta ânimo no cenário do futebol, fatigado pelo longo período de sombras que tomou conta desses ares. É hora do reinício.
Olá, Futebol. É bom tê-lo de volta.
Por Helcio Herbert Neto.
sábado, 28 de janeiro de 2012
O Homem que pintou a Cidade
Ano de eleição, vocês sabem como é. Entre as estratégias mais usadas pelos candidatos está a tentativa de nos convencer que nossa visão de mundo é equivocada. Eles pretendem nos ensinar a reinterpretar suas carreiras, nos intimam a compartilhar de uma ideia florida, criada por profissionais de publicidade e assessores de imprensa. Não se tratam de mentiras, longe disso. Os políticos, principalmente os mandatários que mandam nas terras brasileiras, não tem esse costume.
Já na tentativa de reinventar modo de ver o que acontece ao nosso redor, o honorável prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, passou dos limites. É só andar pelas ruas que os mais atentos notarão a nova tonalidade das calçadas e das algumas partes das pistas de rolamento da Cidade Maravilhosa. Pessoalmente, por muitos momentos passei pelo vermelho sangue que colore o município e ignorei. Um dia vi desenhada no chão uma figura que aludia ao trânsito de ciclistas. Sinceramente, não entendi.
Posteriormente, fui ver que a prefeitura havia anunciado que, até meados de 2012, os cariocas iriam poder desfrutar de 300 quilômetros de pistas destinadas aos amantes de ciclismo. O programa, segundo a própria prefeitura, ultrapassaria a área de esporte e lazer e poderia ser considerada uma iniciativa de vanguarda nos transportes, propagando o ideal de uma vida saudável unido a famigerada sustentabilidade. Um belo projeto, que poria a cidade em um posto de destaque na utilização das bicicletas no cenário global.
Quando andando pelas trilhas vermelhas, notei a sutileza que distinguia o programa promovido e a ralidade posta ali, sob meus pés. Aquele traçado rudimentar que recebia meus tênis castigado naquele instante fazia parte da gloriosa malha cicloviária carioca. Sem proteção lateral, com uma largura insuficiente e com pouca (ou nenhuma) sinalização. Ali estava o projeto transdisciplinar que aglutinou a dedicação e as verbas de várias secretarias municipais.
Com certeza constará na lista realizações da atual administração a "construção" das faixas vermelhas que trarão a solução para o transporte público, para saúde e para o meio ambiente da cidade que sediará os dois maiores espetáculos esportivos do planeta nos próximos quatro anos. Para trás, ficarão os aumentos abusivos no valor das passagens ministrados pelo cartel das companhias de ônibus, as péssimas condições dos hospitais municipais e o aumento da poluição da bacia hidrográfica da Barra da Tijuca.
Agora é só esperar o bombardeio nas campanhas. Vai ser o eleitor que vai definir se a cor oficial da cidade será ou não o vermelho das ciclovias. Os narizes de palhaço podem auxiliar na ornamentação...
por Helcio Herbert Neto.
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